quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Audiência pública irá discutir projeto sobre privatização

Brasília (Assessoria de Imprensa/ Gabinete Fatima Cleide) - Representantes da Federação Nacional dos Urbanitários se reuniram hoje (14) com a senadora Fátima Cleide (PT-RO) e decidiram promover uma audiência pública no Senado para debater o PLS 51/2004, de autoria da senadora, que exclui do Programa Nacional de Desestatização as empresas de energia elétrica do Piauí (Cepisa), Alagoas (Ceal), Amazonas (Manaus Energia), Acre (Eletroacre) e Rondônia (Ceron).  
A medida tenta evitar que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) reprove o projeto, atualmente com o senador Valter Pereira (PMDB-MS), que na semana passada, durante reunião da comissão, pediu vistas à matéria. Naquela sessão, os senadores do PSDB e DEM manifestaram-se contra o projeto, que tem parecer favorável do relator, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). 
“Lamento muito a posição contrária de alguns senadores sobre o projeto. O que pretendemos é impedir que um setor estratégico para a sociedade possa, no futuro, ser desfeito de qualquer maneira, como demonstram os exemplos do passado”, disse a senadora Fátima, lembrando a crise no setor elétrico em 2001, quando o país teve racionamento de energia. 
O relator, senador Antonio Carlos Valadares, considera que o projeto apresenta-se em conformidade com a legislação vigente, e estão atendidos os requisitos de constitucionalidade e juridicidade. Já para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o projeto é inconstitucional. 

Proposta que condena prática do overbooking é aprovada na CCJ

Brasília (Cláudio Bernardo / Agência Senado) - Empresas aéreas que forem flagradas praticando o overbooking - venda de passagens acima da capacidade dos assentos constantes nas aeronaves - serão obrigadas a indenizar o passageiro que ficar impedido de embarcar, no valor correspondente ao da passagem comprada. A indenização, a ser paga pela companhia aérea em dinheiro ou em crédito aberto, também é válida em caso de cancelamento de vôo ou atraso superior a duas horas.
A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), ao aprovar substitutivo do senador Expedito Júnior (PR-RO) a projeto de lei (PLS 114/04) de autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). A proposta tramitava em conjunto com outros três projetos que tratavam do mesmo tema. O projeto segue agora para a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) onde será votado em decisão terminativa.
Na prática, o projeto tem por meta preservar o passageiro de constrangimentos que sofrem nos aeroportos, principalmente diante da prática do overbooking. A indenização não exime, entretanto, a empresa de garantir ao passageiro prejudicado o direito contratual ao transporte previsto no bilhete, o qual poderá ser usufruído, a critério do passageiro, na forma de uma das seguintes alternativas: acomodação em vôo que ofereça serviço equivalente para o mesmo destino, no prazo de quatro horas a contar do horário previsto para o embarque; e reembolso do valor do bilhete.
Todas as despesas decorrentes da interrupção ou atraso da viagem, inclusive transporte de qualquer espécie, alimentação e hospedagem, correrão - de acordo com o projeto - por conta da empresa.

TCE confirma Encontro sobre Transição

                                                  Presidente do TCE, conselheiro José Gomes de Melo.

Porto Velho (Assessoria/TCE) - Prefeitos atuais e eleitos, e presidentes de Câmaras, poderão se inscrever no período de 25 deste mês até dia 7 de novembro, para participar do Encontro do Tribunal de Contas com os Municípios do Estado sobre Transição de Governo. As inscrições serão feitas em local próprio no site do TCE, sendo que o evento acontecerá entre as 7h30 e 13h30 do dia 14 de novembro, no auditório do Tribunal de Contas.
Realizado pelo TCE, em parceria com a Associação Rondoniense dos Municípios – AROM, o Encontro é organizado e será coordenado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Conselheiro José Renato da Frota Uchoa – IEP/TCE, prevendo-se seis palestras técnicas e uma a ser feita por representante do Banco do Brasil.
"Nossa proposta é puramente pedagógica", disse o presidente do TCE conselheiro José Gomes de Melo, acrescentando que será uma oportunidade de mantermos o primeiro contato com os que vão assumir, mostrando a eles a importância da boa aplicação do erário público e também como funciona o Controle Externo do Tribunal".
Sobre a participação do Banco do Brasil, o presidente José Gomes explicou que essa palestra terá como tema central os programas que o BB desenvolve e podem ser utilizados pelos municípios, além das maneiras de acesso a eles.

Raupp mobiliza PMDB para votar pela suspensão das dividas do Beron

Brasília, (Assessoria) - “A votação da suspensão das dívidas do Banco do Estado de Rondônia (BERON) só foi possível no Senado Federal, graças a mobilização que fiz junto a Bancada do PMDB no plenário e na Comissão de Assuntos Econômicos(CAE)”. Afirmação é do líder do PMDB no Senado Federal, Valdir Raupp(RO) feita na manhã de hoje em resposta as insinuações feitas na imprensa pelo deputado estadual Tiziu Jidalias de que ele não queria votar o fim das dívidas do Beron.
O senador disse que em respeito ao povo de Rondônia são necessários que sejam feitos os seguintes esclarecimentos com o objetivo de se repor a verdade: 
1 – a minha preocupação com o caso Beron foi alvo do meu primeiro discurso no Senado feito no dia 19 de fevereiro de 2003 quando relatei as dificuldades que o estado passa em virtude das dívidas surgidas em virtude da intervenção federal no banco. Disse textualmente em meu discurso que o desconto feito pela União do Fundo de Participação do Estado(FPE) ‘representa um grande sacrifício para o nosso estado, que tem descontado parcelas no valor de RS 6 milhões das transferências constitucionais e que trata-se de um dinheiro que deveria servir para os investimentos sociais e de infra-estrutura que tanto Rondônia necessita”.;
2 – Após minha posse iniciei a luta junto a bancada do PMDB e as autoridades financeiras do país, como ministros da Fazenda, Planejamento, Casa Civil e Tribunal de Contas da Uniãoo visando uma revisão das dívidas do Beron;
3 – Estive juntamente com o governador Ivo Cassol em reunião com o ministro-relator. Raimundo Carrero, indicado pelo TCU para analisar as divídas do Banco;
4 – Na Comissão de Assuntos Econômicos(CAE) defendi com intransigência a realização da auditoria do TCU junto ao Beron objetivando reunir elementos técnicos para uma suspensão das dívidas que onera o estado e prejudica a população;

Caderno da Cidadania

COBERTURA DE EDUCAÇÃO

Professores de bico calado

* Márcio Tonetti



Jornalistas que já trabalharam com reportagens envolvendo a área de educação sabem das dificuldades de encontrar professores da rede pública de ensino dispostos a abrir a boca quando a pauta trata de qualidade do ensino, problemas de gestão escolar ou condições de trabalho. Poucos falam ou denunciam. E quando aceitam dar declarações impõem restrições: na maioria dos casos, exigem que o jornalista preserve a identidade da fonte. Há, evidentemente, os corajosos, aqueles que abrem o bico custe o que custar. Mas não é essa a regra. O que mais se ouve são respostas evasivas, do tipo "não posso falar", "não quero falar", "isso vai me trazer problemas".
Salvo as exceções em que o assunto se relaciona com projetos pontuais, que projetam a imagem de uma escola, por exemplo, ou não a maculam, impera o silêncio do professorado em matérias que abordam políticas públicas educacionais. Mas mesmo em caso de matérias positivas, nem sempre é fácil conseguir a colaboração dos docentes.
Os educadores são protagonistas na implantação e execução de políticas públicas, são fontes primárias de informação, mas não têm presença na mídia. Nas reportagens aparecem pais, alunos, empresários da educação, fontes oficiais (como representantes do MEC, das Secretarias de Educação), mas raramente os professores.

Abuso ou insubordinação

Na terça-feira (7/10), participei do debate "Fala educador! Fala educadora!", organizado pela Ação Educativa, em parceria com a ONG Artigo 19 e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, que levantou uma das causas desse silêncio dos professores: eles não podem, por lei, falar sem autorização de autoridades governamentais. Pesquisas desenvolvidas por estas organizações identificaram dispositivos na legislação brasileira que limitam a liberdade de expressão de servidores públicos. Uma dessas leis da mordaça encontra-se no Estatuto dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo, de 1968, ano do AI-5. Lamentavelmente, os resquícios da ditadura existem até hoje. O artigo 242 desse estatuto proíbe os servidores públicos de se referirem "depreciativamente" aos atos da administração ou às autoridades constituídas.
"Artigo 242 – Ao funcionário é proibido: I - referir-se depreciativamente, em informação, parecer ou despacho, ou pela imprensa, ou qualquer meio de divulgação, às autoridades constituídas e aos atos da Administração, podendo, porém, em trabalho devidamente assinado, apreciá-los sob o aspecto doutrinário e da organização e eficiência do serviço; (...) VI - promover manifestações de apreço ou desapreço dentro da repartição, ou tornar-se solidário com elas."
O problema não está só em São Paulo. Em 18 estados brasileiros foram encontradas legislações semelhantes. O texto, em alguns casos, apresenta diferenças, mas o caráter proibitivo é o mesmo. Em algumas dessas regiões do país, as normas não remontam à época da ditadura. Ao contrário de São Paulo, são legislações recentes, posteriores à Constituição, o que nos deixa apreensivos quanto ao caráter de algumas autoridades que legislam no Brasil atualmente. No Amapá, o estatuto foi promulgado em 1993. No Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Pará, em 1994. O da Paraíba está mais fresco ainda: é de 2003.
"Referir-se depreciativamente" pode abrir margens para inúmeras interpretações. Uma crítica de um professor a uma medida que poderá até prejudicar a escola pode ser identificada como motivo de punição. Uma opinião sobre a má qualidade de ensino também pode ser entendida como um abuso, como insubordinação.

Direito à informação tolhido

São recorrentes os casos de docentes penalizados (processados ou afastados) ou intimidados por concederem entrevistas. No debate do qual participei, o professor Josafá Rehem, da rede pública em São Paulo, relatou uma experiência que vivenciou recentemente. Após uma entrevista concedida a um repórter da rádio CBN, tratando sobre falta de professores e o acúmulo de funções, o educador recebeu da Diretoria Regional de Educação um documento (uma "folha de informação") impelindo-o a dar explicações.
Restrições como essas são ilegítimas, inconstitucionais, agridem a democracia e abusam do direito à liberdade de expressão, previstos na Constituição Federal brasileira (artigo 5º), bem como na Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo 19). O jornalismo é prejudicado: (1) por contar com um número restrito de professores que aceitam falar, as matérias citam sempre as mesmas pessoas – por isso, a imprensa não reflete a pluralidade de opiniões; (2) por utilizar de modo indiscriminado informações sem paternidade, sem a identificação da fonte – embora o anonimato seja um recurso justificável em algumas circunstâncias, limita a credibilidade da informação e pode servir de instrumento para entrevistados mal-intencionados transmitirem ao jornalista informações maliciosas e infundadas, sem arcar com a responsabilidade pelo que disseram. Mas, sobretudo, o cidadão é prejudicado por ter o seu direito à informação tolhido.

Uma cultura perpetuada

O jornalismo não pode ficar refém de assessorias de imprensa das secretarias de Educação. Precisa ter passe livre para se relacionar com a escola e com os professores. Hoje, para um jornalista entrar numa escola precisa ter autorização da secretaria estadual de Educação. O diretor de uma escola pode até possibilitar a entrada da imprensa, mas estará sujeito a penalidades dependendo do teor da informação que for publicada.
Embora em muitos municípios do interior não existam normas formalizadas, dando conta dessas proibições, o clima de repressão é expressivo. Ainda nesta semana, duas alunas de jornalismo reclamavam que não estavam conseguindo entrevistar responsáveis por creches na região. Elas procuravam informações relativas à existência ou não de vagas. Ninguém quis dar depoimentos. A maioria dos servidores públicos receia que uma declaração concernente a uma denúncia ou crítica possa custar-lhes o emprego.
Existindo uma legislação ou não, na prática muitos governantes locais não gostam da transparência e calam ou abafam aqueles que tentam colocar os fatos a limpo. Mesmo como representantes da sociedade, fogem de qualquer escrutínio. Jornalistas que pegam no pé são odiados. Para conseguir falar com certos personagens da administração municipal é uma maratona. Nunca estão, sempre se encontram ocupados ou, quando se pronunciam, o fazem mediante suas assessorias de imprensa (raramente compostas por jornalistas, por sinal). Em determinadas ocasiões, é de perder as contas do número de telefonemas feitos para, enfim, realizar a entrevista. Se o repórter os encontra indispostos e insiste, não raro, batem o telefone.
E assim essa cultura é perpetuada, mesmo porque os próprios jornais locais se colocam numa condição passiva, dependentes que são das receitas gordas provenientes das prefeituras.


* Jornalista, professor de Jornalismo no Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho) e diretor de Redação da Agência Brasileira de Jornalismo, Campinas, SP

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Restauração da RO-399 enviado para licitação

Porto Velho (Decom) - O Departamento de Estradas de Rodagem e Transportes (DER) enviou para licitação mais um projeto de restauração de rodovia. Trata-se da RO-399, da BR-364, passando por Colorado do Oeste até o município de Cerejeiras, no Cone Sul do Estado, numa extensão de 104 quilômetros. Nesta obra o Governo do Estado estima investir R$ 30 milhões.  
O diretor-geral do Departamento, engenheiro Jacques Albagli, explicou que esta restauração deveria ter recebido a ordem de serviço do governador Ivo Cassol (sem partido) no último mês, assim como foi feito com a RO-010, de Pimenta Bueno a Rolim de Moura, e na RO-383, Alta Floresta, Santa Luzia e Rolim de Moura.  
“Infelizmente houve um atraso na execução do projeto para o conserto da RO-399. Por outro lado, o governador Cassol pôde autorizar o início de duas restaurações, onde estão sendo investidos em torno de R$ 30 milhões (R$ 18.892.852,92 na RO-010 e outros R$ 11.843.540,37 na RO-38)”, comentou o diretor. 
O engenheiro destacou que os consertos das ROs 010 e 383, na região da Zona da Mata, são executados com Concreto Usinado Betuminoso a Quente (CBUQ), mais conhecido como asfalto usinado, com a camada de quatro centímetros. Lembrou também que a restauração da RO-399 será da mesma forma. “O governador tem investido pesado no setor de pavimentação e não tem se esquecido de cuidar das estradas mais antigas”, finalizou. 

CEF inicia pagamento do PIS para os nascidos em janeiro

Brasília - Quem nasceu no mês de janeiro e tem direito ao Abono Salarial – um total de 552 mil trabalhadores – passou a receber pela Caixa Econômica Federal desde ontem ( quinta-feira, 09), os R$ 415 referentes ao benefício. Até o momento, 7,8 milhões de trabalhadores já receberam seus benefícios.
Os valores desembolsados ultrapassam R$ 3,1 bilhões, equivalente a 60% do total previsto para pagamento. Neste exercício, mais de 12,9 milhões de trabalhadores têm direito ao benefício, o que representa um total de R$ 5,3 bilhões. É a maior quantidade de benefícios já liberados na história do Abono Salarial. O calendário de pagamentos atual segue até 30 de junho de 2009
Para facilitar o saque, o trabalhador utiliza o Cartão do Cidadão (com senha cadastrada) em terminais de auto-atendimento, casas lotéricas e correspondentes CEF Aqui, inclusive nos fins de semana e fora do horário bancário. No auto-atendimento, pode-se consultar extrato/saldo de FGTS e saldo do PIS; sacar Seguro-Desemprego, Abono Salarial e Rendimentos do PIS; e sacar FGTS, limitado atualmente até R$ 600. Nas lotéricas e CEF Aqui, pode-se sacar Abono Salarial, Seguro-Desemprego e Rendimentos do PIS e FGTS até R$ 600.
A solicitação do cartão é gratuita, pelo serviço 0800-726-0101 ou em qualquer agência da CEF. Para receber informações sobre os benefícios é importante o trabalhador atualizar os dados cadastrais no cadastro PIS, principalmente o endereço de residência.

ANTECIPAÇÕES 

Cerca de 4,5 milhões de beneficiários receberam o Abono antecipadamente, fora do calendário. A CEF adiantou os R$ 415 por meio do crédito em conta ou às pessoas que trabalham em empresas que firmaram o convênio CEF PIS-Empresa. No total, foram antecipados R$ 1,8 bilhão.

QUEM TEM DIREITO


O trabalhador cadastrado no PIS até 2003 que tenha trabalhado pelo menos 30 dias, consecutivos ou não, no ano de 2007 com carteira de trabalho assinada pela empresa, tenha recebido, em média, até dois salários mínimos mensais e que tenha tido seus dados informados corretamente por sua empresa na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do ano-base 2007.

Circo da Notícia

APÓS A CAMPANHA

Chegou a hora de liquidar os feridos

*Carlos Brickmann

Nas guerras do Sul da América, havia um tipo especial de guerreiro que acompanhava as tropas: os degoladores. Sua função era circular pelo campo de batalha após os combates e degolar os feridos.
A imprensa também tem disso: terminadas as eleições, aparecem os degoladores, que não se manifestaram durante a campanha e, definidos os perdedores, trituram as estratégias que, é óbvio, dizem, não poderiam dar certo. Em seguida, vêm os louvores à estratégia dos vitoriosos que, é óbvio, dizem, foi genial e tinha de dar certo. É um belo subproduto da profissão: os profetas do passado.
Se a estratégia de um candidato estivesse tão claramente errada, não seria difícil analisá-la durante a campanha, prevendo que não poderia dar certo. Mas aí a coisa é mais complexa: envolve a exposição do raciocínio do analista. E se o candidato da estratégia errada, por pura e simples vontade de contrariar o óbvio, dá de ganhar a eleição? 
Já aconteceu e não foi uma vez só. Jaques Wagner ganhou o governo baiano no primeiro turno, quando toda a expectativa era de que, se chegasse ao segundo turno (onde certamente perderia), já teria cumprido seu papel. Luiza Erundina virou as eleições paulistanas em poucos dias e ultrapassou os favoritos Paulo Maluf e João Leiva. Yeda Crusius, que nem iria para o segundo turno, é a governadora do Rio Grande do Sul. Luizianne Lins, rejeitada até por seu próprio partido e abandonada à própria sorte, derrotou o favoritíssimo Inácio Arruda em Fortaleza. Às vezes, o fenômeno acontece em massa: a Arena, partido dos militares no poder, era tão favorita nas eleições de 1974 que quando Franco Montoro previu a vitória do MDB em 15 Estados todo mundo deu risada. Pois foi surrada em todo o país. Como dizia Magalhães Pinto, velho sábio da política mineira, "eleição e mineração só depois da apuração".
Então, caro colega, quando os iluminados surgirem com suas previsões do passado, procurando destruir de vez os que foram derrotados, sejamos condescendentes. Não podemos levá-los a sério. Nem esquecer que estão, na verdade, apenas bajulando os vencedores e tripudiando sobre os vencidos.

A fonte das notícias

Aquilo que já se sentia está agora respaldado por uma pesquisa: de acordo com o Barômetro da Imprensa, pesquisa da FSB Comunicações, a internet é hoje a principal fonte de informação dos jornalistas. Os jornalistas que se informam por jornais impressos são metade dos que buscam notícias pela internet.
Este é um tema interessante de debate: a internet ganha em velocidade, mas não tem sido bem cuidada em termos editoriais. Muita coisa sai sem checagem, na luta para dar a notícia em primeiro lugar; a língua é maltratadíssima. E, em boa quantidade de portais, o serviço é feito exclusivamente por estagiários, sem supervisão, o que é ruim para a informação e para os próprios estagiários, que ganham experiência mas não recebem orientação adequada. 
Os veículos impressos também têm a ganhar estudando o assunto: não podem competir com a velocidade da internet, nem com sua capacidade de divulgar imensa quantidade de informações num espaço ilimitado. Sobra-lhes, portanto, a articulação das notícias, a hierarquização dos fatos, o pensamento sobre o que acontece. Cabe-lhes, enfim, encontrar o sentido das notícias. Os veículos impressos são essenciais (e, até agora, insubstituíveis), mas precisam ser repensados – como já o foram na época em que a TV surgiu como concorrente.

Lembrando 1

Nos tempos em que Alberto Dines comandou o Jornal do Brasil, no Rio, mandou instalar uma TV na Redação. Mais do que tudo, era um lembrete para os jornalistas: tinham de escrever pensando que aquele acontecimento já tinha sido divulgado pela televisão. Este lembrete precisa ser reforçado a cada dia: hoje, assiste-se a um jogo de futebol pela TV, com repetição dos principais lances, com comentários, vê-se o que saiu no blog do Chico Lang, inclusive com informações exclusivas, e seis, sete horas depois abre-se o jornal, com as mesmas notícias.

Lembrando 2

Mais uns 15 anúncios na TV e nos jornais em torno do tema "a Loja Tal faz aniversário e quem ganha o presente é você". A idéia é boa – tão boa que quem a teve foi um craque da publicidade, Alex Periscinotto, na época em que estava no Mappin. Faz mais de 40 anos. Será que não houve tempo para alguém ter outra idéia de anúncio de comemoração do aniversário de algum empreendimento? 

Uau! 1

O portal de internet de um grande jornal dá a notícia com destaque: uma ala do PSDB fiel ao ex-governador Geraldo Alckmin não aceita qualquer acordo com Gilberto Kassab. Quem lidera esta ala? Rosalvo Salgueiro, um ativista tucano que jamais disputou eleições. Se Rosalvo Salgueiro merece esse destaque, que fará o portal se tiver uma declaração de Fernando Henrique ou Aécio Neves?

Uau! 2

Outra reportagem de destaque num portal jornalístico dá conta de que uma igreja católica de Ribeirão Preto decidiu aceitar que o dízimo dos fiéis seja pago com cartão. Como diriam os americanos, "where is the beef?" Cadê a notícia? Qual a diferença entre pagar o dízimo em dinheiro, cheque ou cartão? 

Mogi News responde

O editor-chefe do jornal Mogi News, de Mogi das Cruzes, SP, escreve para apresentar sua versão dos fatos que levaram à demissão da repórter Márcia Regina Dias – aquela que perdeu o emprego depois que o promotor local, irritado com a desobediência às normas de edição que exigia, passou a pressioná-la.

Segue-se, na íntegra, a carta do jornalista Márcio Siqueira, do Mogi News. Abaixo, está a resposta. 

 
Prezado Carlos Brickmann

Lamentável sua postura com relação ao caso da jornalista Márcia Dias. Primeiro: como editor-chefe do Mogi News nunca fui procurado por você ou por quem o representasse para dar minha versão sobre o assunto. Segundo: é bom que saiba que a jornalista mente ao dizer que ganhou a ação em primeira instância.
Márcia Dias concretizou aqui um dos mais lamentáveis casos de promiscuidade com o meio policial de que se tem notícia. Virou uma funcionária a serviço de versões parciais e por isso – só por isso – foi demitida. O caso do e-mail do promotor foi apenas o último de tantos outros.
Quanto à referida ação trabalhista, o que houve foi um acordo homologado. A jornalista abriu mão de sua absurda pretensão inicial de recebimento e o jornal aceitou pagar o que achava justo.
Diante das informações completamente inverídicas da jornalista, acionaremos a Justiça na esfera cível. O processo está disponível na 2ª Vara da Comarca de Suzano para ser consultado.
Conhecedor de sua competência e seu leitor e admirador desde os tempos da Folha da Tarde, peço a publicação desta carta. 
Um abraço. Márcio Siqueira, editor-chefe – Mogi News e Diário do Alto Tietê


Caro Márcio Siqueira

O Ministério Público tem várias funções definidas em lei. Nenhuma delas é influir na edição de um jornal. O caso: em maio último, o promotor enviou à repórter Márcia Regina Dias, por e-mail, um processo em que acusava policiais por corrupção. Enviava também detalhadas instruções sobre a maneira de utilizar as informações no jornal. Em nenhum momento pediu sigilo. A repórter, corretamente, foi ouvir os acusados (e não é o próprio Márcio Siqueira, nesta carta, que se queixa de não ter sido procurado?). O promotor, irritado pela desobediência da repórter, resolveu se recusar a dar entrevistas para ela e para qualquer de seus colegas. O jornal ficou ao lado do promotor, contra sua funcionária – contra a funcionária que acatava ordens de seus chefes hierárquicos, mas não de gente de fora, de gente que nem jornalista é. E demitiu-a.
Isto, sim, seria lamentável. Mas sabemos que pressões de autoridades são difíceis de suportar, tanto que muitas vezes os proprietários da empresa preferem aceitá-las. A sobrevivência da empresa muitas vezes acaba prevalecendo sobre as atitudes que seriam corretas, porém suicidas.

Com um abraço

Carlos Brickmann


Como...

Comentário político: "(...) é o caso do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, e da família Amin, no Espírito Santo".

César Maia é prefeito do Rio de Janeiro. Correto. Já a família Amin só vai ao Espírito Santo a passeio (o sol é forte e, refletido na calva de Esperidião Amin, cria estranhos fenômenos visuais). Esperidião vai pouco à praia, mesmo àquelas lindas de seu estado, Santa Catarina. Sabe quanto custa o protetor solar de careca, ainda mais em grandes quantidades?


...é...

"Anatel nega intensão de regular acesso à web pela rede elétrica".

Tudo bem, as coisas combinam: rede elétrica, tensão, 110 e 220. Mas "intensão" é novidade.

...mesmo?

"Prazo de concessões de 184 rádios e TVs estão expirados no Brasil".

Talvez seja um truquezinho de linguagem, uma certa ironia: o prazo deve ter expirado há tanto tempo que virou plural.


É assim mesmo

O professor Álvaro Larangeira, que zela pela correção do que fala e escreve, selecionou um delicioso texto sobre gatos de pelo dourado. Primeiro, o original, naquela estranha língua internética que procura estimular a convivência entre singular e plural, salpica vírgulas como quem põe sal nas batatas fritas e rejeita, talvez como símbolo de épocas antigas, toda e qualquer regência verbal:

"(...) embora o pêlo deste animal é, em sua maioria, castanho dourado ou vermelho existem variantes com pelagem preta ou cinza".

Agora, o texto da mesma fonte, transcrito em outro veículo, em que a estranha língua do original ganha a companhia de palavras incompletas:

"(...) o pelo desses gatos são normalmente castanho dourado ou vermelho, mas existem també variantes pretas ou cinzas".

Pergunta do professor Larangeira: "Embora não seja o caso de homicídio frasal doloso, convém enquadrá-los, principalmente o primeiro, como lesão corporal à língua portuguesa?"


E eu com isso?

Enquanto alguns se debruçam sobre o estressante trabalho de prever o passado, enquanto outros tentam (este colunista teme que inutilmente) zelar por um pouco de ordem na língua portuguesa, há quem não se preocupe com nada disso: o importante é escarafunchar a vida dos famosos. Entenda-se por famosos aqueles que aparecem em revistas de famosos e em festas de famosos, seja lá isso o que for.

** "Daniele Suzuki e namorado fazem mais um programa familiar"

Gente bem comportada: a atriz levou o namorado para conhecer sua família.

** "Toda de azul, Paris Hilton vai às compras"

** "Maureen Maggi adora salto alto"

** "Cristiano Ronaldo aparece com imensa mancha de suor"

** "Saia justa: de vestido curto e decotado, Liz Hurley fica com a calcinha à mostra durante evento em Nova York"

Caro colega: se Elizabeth Hurley enfrentou, sem problemas aparentes, a prisão de seu namorado Hugh Grant num programa com Divine Brown, não é a calcinha à mostra que vai constrangê-la. A propósito, que é que tem o decote com a calcinha à mostra?


O grande título

Esta semana é dedicada aos an
imais
.

** "Cliente fiel, égua é barrada em bar na Inglaterra"

** "Urso entra em lanchonete, olha ingredientes e desiste de comer no Canadá"

O título que se segue é o preferido deste colunista:

** "Canja de galinha faz sucesso entre pandas estressados na China"

E diziam que os bichinhos se alimentavam apenas de brotos de bambu!



* Jornalista, diretor da Brickmann&Associados

Cidadão pode ser parceiro do TCE

Porto Velho (Lúcio Albuquerque) - Qualquer pessoa, ente público ou privado, pode ser parceiro do Tribunal de Contas do Estado no trabalho de acompanhamento do emprego dos recursos públicos, e caso haja dúvidas nisso, poderá encaminhar ao TCE a denúncia ou pedido de informações, o que deve ser feito através da Ouvidoria da instituição.
A denúncia, no entanto, deve versar sobre matéria de competência do Tribunal de Contas, no caso envolvendo a administração pública direta ou a indireta de órgãos estaduais e municipais
Após receber a denúncia, a Ouvidoria fará a análise do fato e encaminhará o questionamento ao setor responsável para a respectiva apuração.
Todo documento encaminhado ao TCE através da Ouvidoria, será anexado ao processo, inclusive quando da apreciação, sendo concedido amplo direito de manifestação e defesa a quem for denunciado, sendo assegurado ao reclamante total anonimato.
Para fazer seu questionamento, o reclamante tem várias maneiras: por telefone ( 69 - 3211-9058); pelo e-mail (ouvidoria@tce.ro.gov.br); por carta (endereçada ao Tribunal de Contas do Estado, avenida Presidente Dutra 4229, CEP 76801-296, Porto Velho/RO); ou, em Porto Velho colocando a informação numa das caixas coletoras disponibilizadas no hall do TCE, no Aeroporto, no Shopping Cidadão e na Prefeitura

Projeto proíbe a realização de concurso público exclusivo para a formação de cadastro de reserva

Brasília (Assessoria) - O senador Expedito Júnior (PR/RO) apresentou o Projeto de Lei nº 369/2008 para que o edital dos concursos públicos de provas ou de provas e títulos em todo o país especifique em números os cargos a serem preenchidos. O parlamentar quer evitar que a administração dos Estados, Distrito Federal e municípios lancem os editais apenas para formação de cadastro de reserva, gerando falsa expectativa nos candidatos aprovados. Segundo ele, essas seleções acabam por beneficiar apenas a chamada “indústria dos concursos”.
Pelo projeto do senador, a formação do cadastro de reserva somente será permitida para candidatos aprovados em número excedente ao de cargos a serem providos. 
“Não faz o menor sentido a realização de concursos apenas para a formação de tais cadastros. Ou a Administração precisa de novos quadros, e por isso promove o concurso, ou, se não necessita de mais servidores, falta-lhe interesse legítimo para deflagrar o processo seletivo”, destacou Expedito Júnior.
Na justificativa do projeto, o senador cita recente julgamento no Supremo Tribunal Federal onde a Corte conclui que, se o Estado anuncia em edital de concurso público a existência de vagas, ele se obriga ao provimento dos cargos, se houver candidato aprovado. “A decisão presta homenagem aos princípios da moralidade e da impessoalidade, que devem presidir a conduta dos agentes públicos. Mas podemos até supor que, com essa decisão, aumente o número de concursos com essas características, exatamente para se fugir ao dever de nomear reconhecido pelo Tribunal”, afirmou o senador. 
Expedito Júnior comenta ainda que “o Estado não pode brincar com a boa-fé dos candidatos, deixando de nomear os aprovados dentro de número de vagas, também não pode deflagrar concursos nos quais sequer há a estimativa de vagas a serem preenchidas”.