Dá certo mesmo....
Pegue uma vela branca, um copo d'água e uma imagem de Santo Antônio. Meça com a fita métrica a sua barriga, faça uma marca na fita com uma caneta, antes de enrolar a mesma na imagem do Santo.
Coloque tudo isso aos seus pés e deite-se no chão de barriga para cima.
Toque então com a ponta dos dedos (da mão) na ponta dos pés (que não devem se afastar do chão), dizendo bem alto:
'SANTO ANTÔNIO, ME TIRA ESSA BARRIGA!
Repita isso 500 vezes por dia até chegar ao ponto desejado.
Você vai ver: é tiro e queda!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
CONCURSO PÚBLICO
Prova para candidatos
Para concorrer a uma vaga de assessor parente de deputado. As questões foram elaboradas para provar que não existe essa história de nepotismo e que é preciso estudar e ter seu cargo garantido após uma prova.
Para concorrer a uma vaga de assessor parente de deputado. As questões foram elaboradas para provar que não existe essa história de nepotismo e que é preciso estudar e ter seu cargo garantido após uma prova.
QUESTÕES:
1) Um presidente brasileiro foi Castelo _________
( ) Roxo
( ) Preto
( ) Branco
( ) Rosa choque
( ) Amarelo
2)Um líder chinês muito conhecido chamava-se Mao-Tsé______
( ) Tang
( ) Teng
( ) Ting
( ) Tong
( ) Tung
3) A principal avenida de Belo Horizonte chama-se Afonso_______
( ) Pêlo
( ) Pentêlho
( ) Penugem
( ) Pena
( ) Cabelo
4) O maior rio do Brasil chama-se Ama_________
( ) boates
( ) zonas
( ) cabarés
( ) relinho
5) Quem descobriu a rota marítima para as Índias foi __________
( ) Volta Redonda
( ) Fluminense
( ) Flamengo
( ) Botafogo
( ) Vasco da Gama
6) A América foi descoberta por Cristóvão Co_______
( ) maminha
( ) picanha
( ) alcatra
( ) lombo
( ) carne de sol
7) Grande Bandeirante foi Borba _______
( ) Lebre
( ) Zebra
( ) Gato
( ) Veado
( ) Vaca
8) Quem escreveu ao Rei de Portugal sobre o descobrimento do Brasil foi Pero Vaz de ______
( ) Anda
( ) Pára
( ) Corre
( ) Dispara
( ) Caminha
09) D. Pedro I popularizou-se quando __________
( ) eliminou a concorrência
( ) decretou sua falência
( ) saturou a paciência
( ) proclamou a independência
( ) liberou a flatulência
10) Pedro Alvares Cabral _____________
( ) inventou o fuzil
( ) engoliu o cantil
( ) descobriu o Brasil
( ) foi pra puta que pariu
( ) tropeçou mas não caiu
11) Foi no dia 13 de maio que a Princesa Isabel____________
( ) aumentou a tanajura
( ) botou água na fervura
( ) engoliu a dentadura
( ) segurou a coisa dura
( ) aboliu a escravatura
12) Um grande ator brasileiro é Francisco Cu______
( ) sujo
( ) de ferro
( ) oco
( ) largo
( ) apertado
13) O autor de Menino do Engenho foi José Lins do ______
( ) Fiofó
( ) Rêgo
( ) Furico
( ) Forevis
14) D. Pedro I às margens do Rio Ipiranga, gritou_______________
( ) Hortência volte!
( ) Eu dou por esporte!
( ) Como dói, prefiro a morte!
( ) Independência ou morte!
( ) Maria, endureceu! Que sorte!
Sesdec trabalha para implantar a nova Carteira de Identidade
Porto Velho (Decom) - A nova carteira de identidade dos brasileiros, que deverá entrar em vigor em janeiro do ano que vem, vai ter informações de RG, CPF e Título de Eleitor em um só documento. O novo documento de identidade vai ter modelo e tamanho de um cartão de crédito.A maior novidade é o chip, que vai armazenar todas as informações da pessoa, tais como cor da pele, altura e peso, além de informações trabalhistas, previdenciárias, criminais e o que mais for necessário para a perfeita identificação do identificado.
Com a implantação do AFIS (sigla em inglês do Sistema Automático de Identificação de Impressões Digitais) no Instituto Nacional de Identificação (INI) da Polícia Federal, a intenção é gerar um número nacional para todos os brasileiros, o que vai facilitar a identificação e reduzir as fraudes. Hoje, cada órgão que cuida do assunto nos estados produz um número diferente de carteira de identidade, o que possibilita uma pessoa a emitir o documento em diferentes regiões.
Agora, as impressões digitais não serão mais no método 'dedão na tinta', mas sim escaneadas, e as informações serão enviadas para um banco de dados do INI, que fará um único banco de dados, alimentando o AFIS.
Então, a partir de 2009, essa será a nossa nova carteira de identidade, que deixa de ser RG para ser chamada de 'RIC' (Registro de Identidade Civil).
As informações ão registradas com uma tinta, então nenhum reagente químico pode alterá-la; todos os dados são gravados a laser no corpo do documento. Além do mais, itens de segurança como dispositivo anti-scanner, imagens ocultas e palavras impressas com tinta invisível, fotografia e impressão digital a laser e a possibilidade de armazenar no chip diversas informações do portador, vem a ser o grande diferencial do novo documento.
A proposta é que, em nove anos todos os brasileiros tenham o novo registro, que vai acabar com o problema de homônimos (pessoas que têm o mesmo nome e números de registro diferentes), e principalmente com as fraudes.
A Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania – Sesdec, já está trabalhando para disponibilizar no estado o novo documento em meados de 2009.
Blitz dá orientações de segurança no trânsito
Posto avançado
A blitz promovida no sábado teve os trabalhos iniciados pelo diretor-geral do Detran/RO, Joarez Jardim, que solicitou empenho dos servidores em todos os trabalhos realizados pelo órgão e anunciou ainda a instalação de um posto avançado do Detran no Segundo Distrito de Ji-Paraná.
Jardim explicou que com o desenvolvimento do município, especialmente no que ser refere ao aumento da frota de veículos, é necessário também um maior investimento na prestação de melhores serviços.
Ele lembra que todo este trabalho somente está sendo possível devido ao apoio recebido do Governo do Estado. “A instalação deste posto é uma reivindicação dos moradores e irá beneficiar diretamente a população do Segundo Distrito, que não precisará se deslocar até a 3ª Ciretran para efetuar um serviço do Detran”, afirmou o diretor.
“O trabalho de educação preventiva tem que ser constante e intensivo. Infelizmente a maioria das pessoas só obedece às leis de trânsito por medo de algum tipo de sanção ou por ter sofrido um acidente ou a perda de um ente querido”, explicou Solange Boaventura, coordenadora do núcleo de Educação no Trânsito em Ji-Paraná.
Na capital
Em Porto Velho a Coordenação de Educação de Trânsito também promoveu uma blitz educativa, no último sábado, nos cruzamento da avenida Carlos Gomes com a rua Brasília e na avenida Jatuarana. Responsável por todo o trabalho de Educação no Trânsito do Estado, a coordenação conseguiu a adesão da maioria dos municípios durante a Semana Nacional do Trânsito e está desenvolvendo diversos projetos neste sentido no decorrer do ano de 2008.
ANP participa de palestra sobre gás em Vilhena

Brasília (Assessoria de Imprensa) - Os diretores da Agência Nacional de Petróleo (ANP) Nelson Narciso Filho e Magda Chambriard, participam, em Vilhena, de uma palestra sobre a exploração de gás no município.Eles estarão em um debate às 17h, na sede da Associação Comercial e Industrial da cidade, localizada à avenida Riachuelo nº 1.173. no setor Chacareiro.
Os diretores atendem a um convite formulado, na última semana, pelo líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), A pauta do encontro é a exploração de gás natural visando identificar alternativas ao desenvolvimento econômico do município e da região.
“Convidamos os diretores da ANP para discutir com os segmentos sociais de Vilhena, a viabilidade de estudos em torno da exploração de gás natural no município” disse o senador.
O senador revelou que em virtude da crise institucional e política na Bolívia, o Brasil precisa encontrar alternativas ao gás natural que importamos do país vizinho. A existência de uma jazida de gás em Vilhena precisa ter uma atenção especial da ANP, informou Raupp.
Também estarão presentes no encontro, a deputada federal Marinha Raupp, empresários, comerciantes, estudantes e outros representantes da classe política.
Os diretores atendem a um convite formulado, na última semana, pelo líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), A pauta do encontro é a exploração de gás natural visando identificar alternativas ao desenvolvimento econômico do município e da região.
“Convidamos os diretores da ANP para discutir com os segmentos sociais de Vilhena, a viabilidade de estudos em torno da exploração de gás natural no município” disse o senador.
O senador revelou que em virtude da crise institucional e política na Bolívia, o Brasil precisa encontrar alternativas ao gás natural que importamos do país vizinho. A existência de uma jazida de gás em Vilhena precisa ter uma atenção especial da ANP, informou Raupp.
Também estarão presentes no encontro, a deputada federal Marinha Raupp, empresários, comerciantes, estudantes e outros representantes da classe política.
MÍDIA DE DEUS
Estado laico e radiodifusão religiosa
Venício A. de Lima
Estado e Igreja católica sempre estiveram muito próximos no Brasil. Herdamos dos colonizadores portugueses esse vínculo e não foi por acaso que fomos chamados de "Terra de Santa Cruz" e o primeiro ato solene em solo brasileiro tenha sido a celebração de uma missa.
A Constituição outorgada de 1824 estabelecia o catolicismo como religião oficial do Império. Essa condição perdurou até o início da República, quando Deodoro da Fonseca assinou o Decreto 119-A, de 7 de janeiro de 1890 (disponível aqui). Desde então, instaurou-se a separação entre Igreja e Estado e nos tornamos, do ponto de vista legal, um Estado laico (do latim laicus, isto é, leigo, secular, neutro, por oposição a eclesiástico, religioso).
Embora no Preâmbulo da Constituição de 1988 conste que ela foi promulgada "sob a proteção de Deus", o inciso I do artigo 19, é claro:
"Artigo 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público."
Comercialização do horário nobre
É exatamente por ser a Constituição de um Estado laico – e em coerência com o Artigo 19 – que a alínea b, do inciso VI, do artigo 150 proíbe a tributação sobre "templos de qualquer culto" para não "embaraçar-lhes o funcionamento" do ponto de vista financeiro.
Esta breve introdução histórico-legal vem a propósito de notícias que têm sido veiculadas na grande mídia nessas últimas semanas.
O jornalista Daniel Castro, por exemplo, informa em sua coluna "Outro Canal" na Folha de S.Paulo (18/9/2008):
"A Band se abriu de vez para o mercado da fé. No mês passado, vendeu 22 horas da grade da Rede 21, emissora do mesmo grupo, para a Igreja Mundial do Poder de Deus. O negócio deverá render à TV R$ 420 milhões nos próximos cinco anos.
Desde o último dia 1º, o Ministério (sic) Silas Malafaia (Assembléia de Deus) ocupa a grade da Band da 1h30 às 7h. Pagará cerca de R$ 7 milhões por mês ou R$ 336 milhões em quatro anos (duração do contrato)".
A Igreja Mundial do Poder de Deus, além das 22 horas semanais na Rede 21, já veicula seus programas na RedeTV! e na Rede Boas Novas, esta vinculada à Igreja Evangélica Assembléia de Deus (IAD), que controla 36 emissoras de televisão, sendo sete em VHF e 29 em UHF, em 24 estados e no Distrito Federal.
A Band comercializa também boa parte de seu horário nobre com a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD), do pastor R. R. Soares, na telinha diariamente como resultado de um contrato que se estima girar em torno de 5 milhões de reais/mês. Esta igreja controla 85 canais de televisão, sendo que 77 em UHF, sete em VHF e um canal a cabo, em 24 estados [dados sobre a IAD e a IIGD coletados por Valdemar Figueredo Filho para dezembro de 2006].
Sublocação de serviço público
Segundo Daniel Castro, "a Band (rede de televisão) tem hoje 40 horas e 30 minutos de programação religiosa por semana, apenas três a menos do que a Record, que pertence à Igreja Universal. A campeã de aluguel de horário a igrejas é a Rede TV!. Tem 58 horas semanais de orações e exorcismos".
E mais: a Rede SBT – a única que ainda não veicula programação religiosa – recebeu, pelo menos, uma proposta do missionário R. R. Soares, o mesmo que está no horário nobre da Band todos os dias.
Diante das evidências – que não se restringem aos dados citados e envolvem tanto igrejas evangélicas como católicas – não há como escapar de duas questões que, leiga e ousadamente, gostaria que fossem consideradas como "constitucionais":
Primeiro, é correto (no sentido de legal) que grupos privados possam negociar e auferir lucro do aluguel, sublocação (ou seria subconcessão?) de "partes" de um serviço público que lhes foi outorgado pelo Estado?
Segundo, retorno à pergunta já feita em texto recente publicado neste Observatório (ver "O coronelismo eletrônico evangélico"): um serviço público que, por definição, deve estar "a serviço" de toda a população, pode continuar a atender interesses particulares de qualquer natureza – inclusive, ou sobretudo, religiosos? Ou, de forma mais direta: se a radiodifusão é um serviço público cuja exploração é concedida pelo Estado (laico), pode esse serviço ser utilizado para proselitismo religioso?
E, por fim, uma curiosidade: a Lei 9.612/1998 proíbe o proselitismo de qualquer natureza (§ 1º do artigo 4º) nas rádios comunitárias. Será que a norma que vale para as outorgas desse serviço público de radiodifusão não deveria valer também para as emissoras de rádio e de televisão pagas e/ou abertas? (Fonte: Observatório da Imprensa)
Venício A. de Lima
Estado e Igreja católica sempre estiveram muito próximos no Brasil. Herdamos dos colonizadores portugueses esse vínculo e não foi por acaso que fomos chamados de "Terra de Santa Cruz" e o primeiro ato solene em solo brasileiro tenha sido a celebração de uma missa.
A Constituição outorgada de 1824 estabelecia o catolicismo como religião oficial do Império. Essa condição perdurou até o início da República, quando Deodoro da Fonseca assinou o Decreto 119-A, de 7 de janeiro de 1890 (disponível aqui). Desde então, instaurou-se a separação entre Igreja e Estado e nos tornamos, do ponto de vista legal, um Estado laico (do latim laicus, isto é, leigo, secular, neutro, por oposição a eclesiástico, religioso).
Embora no Preâmbulo da Constituição de 1988 conste que ela foi promulgada "sob a proteção de Deus", o inciso I do artigo 19, é claro:
"Artigo 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público."
Comercialização do horário nobre
É exatamente por ser a Constituição de um Estado laico – e em coerência com o Artigo 19 – que a alínea b, do inciso VI, do artigo 150 proíbe a tributação sobre "templos de qualquer culto" para não "embaraçar-lhes o funcionamento" do ponto de vista financeiro.
Esta breve introdução histórico-legal vem a propósito de notícias que têm sido veiculadas na grande mídia nessas últimas semanas.
O jornalista Daniel Castro, por exemplo, informa em sua coluna "Outro Canal" na Folha de S.Paulo (18/9/2008):
"A Band se abriu de vez para o mercado da fé. No mês passado, vendeu 22 horas da grade da Rede 21, emissora do mesmo grupo, para a Igreja Mundial do Poder de Deus. O negócio deverá render à TV R$ 420 milhões nos próximos cinco anos.
Desde o último dia 1º, o Ministério (sic) Silas Malafaia (Assembléia de Deus) ocupa a grade da Band da 1h30 às 7h. Pagará cerca de R$ 7 milhões por mês ou R$ 336 milhões em quatro anos (duração do contrato)".
A Igreja Mundial do Poder de Deus, além das 22 horas semanais na Rede 21, já veicula seus programas na RedeTV! e na Rede Boas Novas, esta vinculada à Igreja Evangélica Assembléia de Deus (IAD), que controla 36 emissoras de televisão, sendo sete em VHF e 29 em UHF, em 24 estados e no Distrito Federal.
A Band comercializa também boa parte de seu horário nobre com a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD), do pastor R. R. Soares, na telinha diariamente como resultado de um contrato que se estima girar em torno de 5 milhões de reais/mês. Esta igreja controla 85 canais de televisão, sendo que 77 em UHF, sete em VHF e um canal a cabo, em 24 estados [dados sobre a IAD e a IIGD coletados por Valdemar Figueredo Filho para dezembro de 2006].
Sublocação de serviço público
Segundo Daniel Castro, "a Band (rede de televisão) tem hoje 40 horas e 30 minutos de programação religiosa por semana, apenas três a menos do que a Record, que pertence à Igreja Universal. A campeã de aluguel de horário a igrejas é a Rede TV!. Tem 58 horas semanais de orações e exorcismos".
E mais: a Rede SBT – a única que ainda não veicula programação religiosa – recebeu, pelo menos, uma proposta do missionário R. R. Soares, o mesmo que está no horário nobre da Band todos os dias.
Diante das evidências – que não se restringem aos dados citados e envolvem tanto igrejas evangélicas como católicas – não há como escapar de duas questões que, leiga e ousadamente, gostaria que fossem consideradas como "constitucionais":
Primeiro, é correto (no sentido de legal) que grupos privados possam negociar e auferir lucro do aluguel, sublocação (ou seria subconcessão?) de "partes" de um serviço público que lhes foi outorgado pelo Estado?
Segundo, retorno à pergunta já feita em texto recente publicado neste Observatório (ver "O coronelismo eletrônico evangélico"): um serviço público que, por definição, deve estar "a serviço" de toda a população, pode continuar a atender interesses particulares de qualquer natureza – inclusive, ou sobretudo, religiosos? Ou, de forma mais direta: se a radiodifusão é um serviço público cuja exploração é concedida pelo Estado (laico), pode esse serviço ser utilizado para proselitismo religioso?
E, por fim, uma curiosidade: a Lei 9.612/1998 proíbe o proselitismo de qualquer natureza (§ 1º do artigo 4º) nas rádios comunitárias. Será que a norma que vale para as outorgas desse serviço público de radiodifusão não deveria valer também para as emissoras de rádio e de televisão pagas e/ou abertas? (Fonte: Observatório da Imprensa)
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Eleições 2008
TSE já recebeu 3.472 recursos sobre registro de candidaturas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 3.472 recursos relacionados a pedidos de registro de candidatura às eleições 2008 até o início da tarde desta segunda-feira (15). Os recursos que se referem a pretendentes ao cargo de vereador somam 2.633. Já os de candidatos a prefeito e vice-prefeito atingem 698. Outros 141 processos foram apresentados especificamente por partidos ou coligações.
São Paulo é o Estado de origem do maior número de recursos, totalizando 763. Em seguida, vem Goiás, com 377, Minas Gerais, com 361, Bahia, com 311, e Alagoas, com 224 recursos.
Clique aqui e confira os recursos apresentados no TSE sobre impugnação de candidaturas nas eleições 2008
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 3.472 recursos relacionados a pedidos de registro de candidatura às eleições 2008 até o início da tarde desta segunda-feira (15). Os recursos que se referem a pretendentes ao cargo de vereador somam 2.633. Já os de candidatos a prefeito e vice-prefeito atingem 698. Outros 141 processos foram apresentados especificamente por partidos ou coligações.São Paulo é o Estado de origem do maior número de recursos, totalizando 763. Em seguida, vem Goiás, com 377, Minas Gerais, com 361, Bahia, com 311, e Alagoas, com 224 recursos.
Clique aqui e confira os recursos apresentados no TSE sobre impugnação de candidaturas nas eleições 2008
Caderno da Cidadania
PRECONCEITO
Só assim a discriminação vira notícia
*Ligia Martins de Almeida
Foi preciso que entidades internacionais apresentassem um estudo para que a imprensa brasileira admitisse que as mulheres e os negros são discriminados no Brasil. Foi o que aconteceu semana passada, com a divulgação do relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente [arquivo PDF zipado, 1,3 MB].
O relatório foi tema dos dois grandes jornais paulistas, cada um tratando do assunto à sua maneira. A Folha preocupou-se em divulgar os resultados, abrindo um grande espaço para o tema na sua edição online:
"Apesar de representarem mais de 70% do mercado de trabalho, mulheres e negros ainda são discriminados na área profissional. É o que aponta o relatório `Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A Experiência Brasileira Recente´, divulgado hoje (8/9) pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), demonstra que, em 2006, o rendimento médio real das mulheres não-negras era de R$ 524,6, enquanto o das negras era de R$ 367,2. Já os homens negros receberam um rendimento médio de R$ 451,1, contra a remuneração de R$ 724,4 obtida pelos não-negros" (Folha de S.Paulo, 9/9/2008).
"Abismo social"
O Estadão, apesar do título enfocar o mercado consumidor, acabou mostrando um pouco mais de indignação no olho da matéria:
"O formato da família brasileira está se diversificando, com mais espaço para casais com filhos chefiados por mulher e núcleos familiares formados só por pais e filhos. Já fora de casa, principalmente nas relações de trabalho, há uma repetição de padrões de iniqüidade, seja de gênero ou raça. Além de receberem menos, as mulheres ainda são campeãs em média de horas semanais dedicadas a afazeres domésticos. Em 2006, mulheres disseram ter reservado 24,8 horas da semana para essas atividades. No mesmo ano, homens dedicaram 10 horas. Houve, no entanto, uma redução de jornada feminina em afazeres domésticos, já que em 2001 elas dedicavam 29 horas semanais." (Estado de S.Paulo, 9/9/2008)
O Estadão destaca que persiste o "abismo social" entre brancos e negros:
"A pobreza e a indigência é três vezes maior entre a população negra. Domicílios chefiados por negros têm menos acesso a rede de esgoto, abastecimento de água e coleta de lixo. A desigualdade também está presente no serviço de saúde, que por definição é universal (43% das mulheres maiores de 25 anos nunca fizeram exame clínico de mama)."
A Folha complementa:
"São as mulheres pobres que encontram maiores dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, como conseqüência, entre outros fatores, dos obstáculos que enfrentam para compartilhar as responsabilidades domésticas, em particular o cuidado com os filhos."
É uma pena que a falta de criatividade – ou de espaço, ou de interesse – deixe um assunto tão rico morrer por aí. As mulheres – brancas e pobres, negras e mais pobres ainda – merecem mais atenção da mídia. A mídia não pode resolver problemas sociais, mas pode – e deve – divulgar esses problemas e cobrar a quem de direito as soluções. A sensibilidade de um bom repórter transformaria um árido relatório em várias matérias capazes de comover até o mais frio dos leitores. E ajudar a melhorar a situação. (Fonte: Observatótio da Imprensa)
*A autora é: Jornalista
INPA reúne instituições de CT de RO
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) quer definir suas estratégias de atuação em Rondônia, em parceria com vários órgãos
Porto Velho (CTO-PV/Sipam) – Vários órgãos de pesquisa de Rondônia estão reunidos hoje (16) no Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) para participar da 'Oficina de Ciência, Tecnologia e Inovação – Estratégias de atuação do INPA em Rondônia', promovida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). A espectativa é que a reunião tenha como resultado a identificação das necessidades de Ciência e Tecnologia em Rondônia, fornecendo uma base para que o INPA possa traçar um plano de ação para atuar no Estado e, dessa forma, formar um núcleo integrado de pesquisa juntamente com as várias instituições.
Segundo um dos coordenadores do INPA, Estevão Monteiro de Paula, o Instituto já possui um núcleo em Rondônia, localizado na Universidade Federal de Rondônia (Unir), mas que será ampliado em sua capacidade física e de pessoal. “O novo núcleo deve ficar pronto até o final do próximo ano. Neste momento, queremos unir forças com os órgãos de pesquisa que já atuam em Rondônia e trabalharmos juntos em projetos de Ciência e Tecnologia”, afirmou.
Na oficina, as instituições de Rondônia apresentam suas pesquisas em mineração, meio ambiente, saúde, agricultura, pecuária e na área social, e participam na identificação das necessidades de novos projetos científicos de acordo com a realidade do Estado.
Amanhã (17), os pesquisadores do INPA continuarão reunidos no Sipam, onde farão uma avaliação dos resultados da reunião de hoje e das demandas de Ciência e Tecnologia identificadas em Rondônia.
MCT
O coordenador-geral das unidades de pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Carlos Oití Berbert, esteve presente à oficina e explicou qual é a política ministerial para a região amazônica. Segundo ele, o MCT quer regionalizar as pesquisas científicas e, dessa forma, contemplar a diversidade da Amazônia.
“O MCT possui três institutos de pesquisa na Amazônia e está fomentando a criação de núcleos regionais de Ciência e Tecnologia encabeçados por estes institutos”, informou. Segundo o coordenador, o INPA criará quatro núcleos regionais - em Porto Velho, Rio Branco (AC), Boa Vista (RR) e São Gabriel da Cachoeira (AM). O Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, formará dois núcleos - em Santarém (PA) e Macapá (AP). Em Tefé (AM), já atua o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
“O MCT está investindo para fomentar a pesquisa em todo o país e tem olhado com atenção para a Amazônia. A criação e o fortalecimento destes núcleos regionais de pesquisa são exemplos disto”, finalizou.
Porto Velho (CTO-PV/Sipam) – Vários órgãos de pesquisa de Rondônia estão reunidos hoje (16) no Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) para participar da 'Oficina de Ciência, Tecnologia e Inovação – Estratégias de atuação do INPA em Rondônia', promovida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). A espectativa é que a reunião tenha como resultado a identificação das necessidades de Ciência e Tecnologia em Rondônia, fornecendo uma base para que o INPA possa traçar um plano de ação para atuar no Estado e, dessa forma, formar um núcleo integrado de pesquisa juntamente com as várias instituições.
Segundo um dos coordenadores do INPA, Estevão Monteiro de Paula, o Instituto já possui um núcleo em Rondônia, localizado na Universidade Federal de Rondônia (Unir), mas que será ampliado em sua capacidade física e de pessoal. “O novo núcleo deve ficar pronto até o final do próximo ano. Neste momento, queremos unir forças com os órgãos de pesquisa que já atuam em Rondônia e trabalharmos juntos em projetos de Ciência e Tecnologia”, afirmou.
Na oficina, as instituições de Rondônia apresentam suas pesquisas em mineração, meio ambiente, saúde, agricultura, pecuária e na área social, e participam na identificação das necessidades de novos projetos científicos de acordo com a realidade do Estado.
Amanhã (17), os pesquisadores do INPA continuarão reunidos no Sipam, onde farão uma avaliação dos resultados da reunião de hoje e das demandas de Ciência e Tecnologia identificadas em Rondônia.
MCT
O coordenador-geral das unidades de pesquisa do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Carlos Oití Berbert, esteve presente à oficina e explicou qual é a política ministerial para a região amazônica. Segundo ele, o MCT quer regionalizar as pesquisas científicas e, dessa forma, contemplar a diversidade da Amazônia.
“O MCT possui três institutos de pesquisa na Amazônia e está fomentando a criação de núcleos regionais de Ciência e Tecnologia encabeçados por estes institutos”, informou. Segundo o coordenador, o INPA criará quatro núcleos regionais - em Porto Velho, Rio Branco (AC), Boa Vista (RR) e São Gabriel da Cachoeira (AM). O Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, formará dois núcleos - em Santarém (PA) e Macapá (AP). Em Tefé (AM), já atua o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
“O MCT está investindo para fomentar a pesquisa em todo o país e tem olhado com atenção para a Amazônia. A criação e o fortalecimento destes núcleos regionais de pesquisa são exemplos disto”, finalizou.
Circo da Notícia
O QUE VÊ O DELEGADO
Por debaixo dos panos
* Carlos Brickmann
O delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, que desenvolveu boa carreira na Polícia paulista e foi o primeiro comandante da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Lula, mandou um bilhete para o blog de Luis Nassif. Discute ali temas relacionados à Telecom Itália, o que foge ao objetivo desta coluna. Mas diz coisas que merecem ser analisadas por nós, jornalistas:
1. "Não tenho o costume de escrever sobre matérias jornalísticas porque as considero, em geral, parciais ou encomendadas (compradas mesmo)".
2. "A matéria que possivelmente deu origem ao seu comentário [o comentário de Luis Nassif] é de autoria de um dos piores profissionais que existem no mercado jornalístico brasileiro. É de um lobista de [Daniel] Dantas, uma pessoa desclassificada que, acostumada com o que tem de pior na Itália, retornou ao Brasil (país que declaradamente odeia) somente porque na Itália não conseguia se manter. (...) Resumidamente, mais um dentre tantos ratos que minha atividade profissional me obriga a lidar cotidianamente".
3. "Desde que estourou o escândalo da Telecom Itália, alguns jornalistas/colunistas tentam ligar o meu nome ao caso, para assim, atingir o presidente Lula, ou porque foram pagos para isso, ou porque ainda torcem para que o governo Lula não dê certo".
4. "Certo de seu senso de justiça e retidão profissional, encaminho essa minha indignação para que seus leitores não fiquem com informações incompletas e possam tirar as conclusões de quem está recebendo as `trinta ou trezentas moedas´ para vender a alma ao diabo".
São acusações fortes, embora o nome dos acusados não seja mencionado: fala-se em reportagens compradas, pessoa desclassificada, mais um dentre tantos ratos, foram pagos para isso, quem está recebendo as trinta ou trezentas moedas para vender a alma ao diabo. É possível, destas informações, inferir a quem o delegado se refere; mas é preferível pedir a Mauro Marcelo, oficialmente, em nome da categoria profissional dos jornalistas, que identifique seus alvos. O pedido pode ser feito pela Fenaj, por exemplo. E, fora isso, a manifestação do delegado vale pauta: um bom repórter poderá não apenas tentar identificar os alvos como ouvi-los e registrar sua reação às acusações.
Seria uma pena se a opinião do delegado Mauro Marcelo se perdesse no meio do tiroteio em que se transformou boa parte da atividade jornalística. Uma oportunidade como esta, de identificar uma eventual banda podre da profissão, não pode ser perdida.
Tem coisa que não pode
Esteja certo ou errado naquilo que pensa dos meios de comunicação, o delegado Mauro Marcelo é uma pessoa de nível, um formador de opinião. Quando pessoas de nível, formadores de opinião, perdem a confiança na imprensa, é hora de respirar fundo e reexaminar critérios e comportamentos. O formador de opinião não representa a maioria dos leitores. Mas, a longo prazo, é quem os conduz.
Imprensa boazinha
O presidente Lula, num daqueles discursos "nunca dantes", disse que o Brasil, de 1980 a 2002, "esteve em estado de coma, atrofiado, deitado numa cama, sem saber quem era e para onde ia". Outra frase: "Quem governou este país já tinha feito universidade, portanto não estava ligando para os que não fizeram".
Tudo bem, é a opinião de Sua Excelência. O curioso é que ninguém se tenha dado ao trabalho de ouvir os presidentes dessa época. Fernando Henrique e Itamar Franco dariam suas respostas. Mas Sarney e Fernando Collor, que hoje fazem parte da base de apoio do presidente Lula, que é que iriam dizer?
Cerveja ou morte
Um juiz de Goiás mandou soltar um motociclista preso por pilotar embriagado. Em sua sentença, diz que não pode ser "escravo das leis", cita a cerveja como a grande paixão do brasileiro, diz que ir a um bar e não tomar cerveja é tão absurdo como fazer uma refeição sem feijão. E, criticando a lei seca do trânsito, diz sua pérola final: "E tudo para quê, afinal? Isto em troca de algumas almas que, em tese, momentaneamente, foram salvas de acidentes" [ver, neste Observatório, "Apenas algumas almas"].
Os meios de comunicação deram destaque ao caso. Mas faltou buscar, se existe, alguma instância que analise o que o juiz fala; ou informar que, absurdamente, isso não existe. Se o juiz não é "escravo da lei", que é que faz com aquela toga? Se salvar de acidentes "algumas almas" é menos importante do que se embriagar de cerveja antes de guiar, em que mundo estamos?
A propósito, alguém poderia informar ao juiz que existe gente que não gosta de cerveja, nem de feijão, nem de mandioquinha frita, nem de caipirinha? E que faria tudo para evitar que haja mortes no trânsito?
Tudo invertido
Um grande jornal deu duas páginas inteiras para a queda do Santa Cruz à série D – aquela que antigamente se chamaria Quarta Divisão. E, na mesma edição, cinco linhas para a morte de Pelópidas Silveira, por três vezes prefeito do Recife, símbolo da esquerda pernambucana, o político que abriu caminho para o maior mito eleitoral de Pernambuco, Miguel Arraes.
O pior é que, se perguntarem ao responsável por que ignorou a importância histórica de Pelópidas, a resposta será aquela de sempre: "Eu não sabia. Não é do meu tempo". Não é mesmo. Nem Pelópidas, nem Pedro Álvares Cabral.
Superexposição
Não deve ser a primeira vez em que isso acontece, mas este colunista jamais tinha visto o fenômeno: o mesmo artigo, de Paul Krugman, foi publicado no mesmo dia em dois grandes jornais da mesma cidade. Cada um fez sua própria tradução, cada um deu seu próprio título, mas o artigo é sem dúvida o mesmo, que trata do socorro americano às grandes empresas hipotecárias.
O limite da reportagem
Mais um caso que deve ser debatido e analisado dentro do Código de Ética da profissão: Gil Rugai, condenado num caso rumoroso pelo assassínio do pai e da madrasta, estava em liberdade provisória. Uma rede de TV, em ampla reportagem, mostrou que ele estava morando em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e não em São Paulo (isto é irregular: não poderia mudar de endereço sem avisar o juiz). Entretanto, ele estava trabalhando, não estava se escondendo, não estava fugindo, tinha apenas mudado de endereço; e encontrá-lo não era assim tão difícil, tanto que a TV o achou. Resultado da reportagem: a liberdade provisória foi cancelada e Gil Rugai voltou para a cadeia.
O furo de reportagem vale dificultar o trabalho de ressocialização do preso? Faz parte das funções de jornalista fiscalizar os condenados em liberdade provisória? E, pior, o fato de Santa Maria ficar perto da fronteira (como assinalou o juiz) significa que, automaticamente, ele iria fugir do país? Se isso fosse verdade, por que, em vez de fugir de uma vez, ele teria feito um longuíssimo pit-stop, durante o qual até arranjou emprego?
Liberdade ameaçada
Dois casos numa só semana:
1. O site Nova Corja recebeu ordem judicial para retirar da internet as informações sobre o empresário Eduardo Laranja, aquele que vendeu uma casa à governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. No caso, há dois fatos curiosos: primeiro, parece que o sr. Laranja havia recebido oferta mais alta, que recusou, para aceitar a mais baixa, vinda da governadora recém-eleita; segundo, o patrimônio da governadora, declarado ao Tribunal Regional Eleitoral, era inferior ao valor da casa que comprou.
2. O site Ucho Haddad foi obrigado a retirar informações contrárias ao banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity.
Ué, e a Constituição Federal, aquela Constituição Cidadã, que diz que não haverá censura à imprensa? Ainda existe?
E eu com isso?
Supremo, tiroteio entre jornalistas, Daniel Dantas, delegado Protógenes, ministro Gilmar, liberdade provisória, prisão em regime fechado – mas tente conversar sobre isso com a vizinha do apartamento ao lado!
Entretanto, mude o assunto e veja como a conversa vai fluir:
** "Ju Paes compra biquíni na areia e cria hit"
** "Gisele Itié leva caldo e se diverte com namorado"
** "Brad Pitt e Angelina Jolie não conseguem dormir"
** "Sandy vai usar um cabelo `romântico´ em seu casamento"
** "Patrícia Pillar circula na noite carioca"
** "Felipe Dylon passa a manhã surfando no Rio"
** "Moscas de fruta também têm vida social, diz estudo"
O grande título
Voltamos a ter daqueles títulos que, sabe-se lá por que motivo, acabam saindo truncados e dão trabalho para descobrir o que é que querem dizer:
** "Acidente deixa um mor na Rodovia Fábio Talarico"
E daqueles que, se a Última Flor do Lácio fosse levada a sério, provocaria uma corrida às livrarias, para comprar dicionários:
** "Chinaglia não havia concordado com o conteúdo da sansão feita pelo STF ao Congresso"
Mas dá para explicar: a sansão deve ser a esposa do dalila.
E o melhor título da semana:
** "Jennifer Lopez obrigou marido a fazer teste de gravidez"
Podem ficar tranqüilos: parece que o teste deu negativo. (Fonte: Observatório da Imprensa
*O autor é: Jornalista, diretor da Brickmann&Associados
Por debaixo dos panos
* Carlos Brickmann
O delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, que desenvolveu boa carreira na Polícia paulista e foi o primeiro comandante da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Lula, mandou um bilhete para o blog de Luis Nassif. Discute ali temas relacionados à Telecom Itália, o que foge ao objetivo desta coluna. Mas diz coisas que merecem ser analisadas por nós, jornalistas:
1. "Não tenho o costume de escrever sobre matérias jornalísticas porque as considero, em geral, parciais ou encomendadas (compradas mesmo)".
2. "A matéria que possivelmente deu origem ao seu comentário [o comentário de Luis Nassif] é de autoria de um dos piores profissionais que existem no mercado jornalístico brasileiro. É de um lobista de [Daniel] Dantas, uma pessoa desclassificada que, acostumada com o que tem de pior na Itália, retornou ao Brasil (país que declaradamente odeia) somente porque na Itália não conseguia se manter. (...) Resumidamente, mais um dentre tantos ratos que minha atividade profissional me obriga a lidar cotidianamente".
3. "Desde que estourou o escândalo da Telecom Itália, alguns jornalistas/colunistas tentam ligar o meu nome ao caso, para assim, atingir o presidente Lula, ou porque foram pagos para isso, ou porque ainda torcem para que o governo Lula não dê certo".
4. "Certo de seu senso de justiça e retidão profissional, encaminho essa minha indignação para que seus leitores não fiquem com informações incompletas e possam tirar as conclusões de quem está recebendo as `trinta ou trezentas moedas´ para vender a alma ao diabo".
São acusações fortes, embora o nome dos acusados não seja mencionado: fala-se em reportagens compradas, pessoa desclassificada, mais um dentre tantos ratos, foram pagos para isso, quem está recebendo as trinta ou trezentas moedas para vender a alma ao diabo. É possível, destas informações, inferir a quem o delegado se refere; mas é preferível pedir a Mauro Marcelo, oficialmente, em nome da categoria profissional dos jornalistas, que identifique seus alvos. O pedido pode ser feito pela Fenaj, por exemplo. E, fora isso, a manifestação do delegado vale pauta: um bom repórter poderá não apenas tentar identificar os alvos como ouvi-los e registrar sua reação às acusações.
Seria uma pena se a opinião do delegado Mauro Marcelo se perdesse no meio do tiroteio em que se transformou boa parte da atividade jornalística. Uma oportunidade como esta, de identificar uma eventual banda podre da profissão, não pode ser perdida.
Tem coisa que não pode
Esteja certo ou errado naquilo que pensa dos meios de comunicação, o delegado Mauro Marcelo é uma pessoa de nível, um formador de opinião. Quando pessoas de nível, formadores de opinião, perdem a confiança na imprensa, é hora de respirar fundo e reexaminar critérios e comportamentos. O formador de opinião não representa a maioria dos leitores. Mas, a longo prazo, é quem os conduz.
Imprensa boazinha
O presidente Lula, num daqueles discursos "nunca dantes", disse que o Brasil, de 1980 a 2002, "esteve em estado de coma, atrofiado, deitado numa cama, sem saber quem era e para onde ia". Outra frase: "Quem governou este país já tinha feito universidade, portanto não estava ligando para os que não fizeram".
Tudo bem, é a opinião de Sua Excelência. O curioso é que ninguém se tenha dado ao trabalho de ouvir os presidentes dessa época. Fernando Henrique e Itamar Franco dariam suas respostas. Mas Sarney e Fernando Collor, que hoje fazem parte da base de apoio do presidente Lula, que é que iriam dizer?
Cerveja ou morte
Um juiz de Goiás mandou soltar um motociclista preso por pilotar embriagado. Em sua sentença, diz que não pode ser "escravo das leis", cita a cerveja como a grande paixão do brasileiro, diz que ir a um bar e não tomar cerveja é tão absurdo como fazer uma refeição sem feijão. E, criticando a lei seca do trânsito, diz sua pérola final: "E tudo para quê, afinal? Isto em troca de algumas almas que, em tese, momentaneamente, foram salvas de acidentes" [ver, neste Observatório, "Apenas algumas almas"].
Os meios de comunicação deram destaque ao caso. Mas faltou buscar, se existe, alguma instância que analise o que o juiz fala; ou informar que, absurdamente, isso não existe. Se o juiz não é "escravo da lei", que é que faz com aquela toga? Se salvar de acidentes "algumas almas" é menos importante do que se embriagar de cerveja antes de guiar, em que mundo estamos?
A propósito, alguém poderia informar ao juiz que existe gente que não gosta de cerveja, nem de feijão, nem de mandioquinha frita, nem de caipirinha? E que faria tudo para evitar que haja mortes no trânsito?
Tudo invertido
Um grande jornal deu duas páginas inteiras para a queda do Santa Cruz à série D – aquela que antigamente se chamaria Quarta Divisão. E, na mesma edição, cinco linhas para a morte de Pelópidas Silveira, por três vezes prefeito do Recife, símbolo da esquerda pernambucana, o político que abriu caminho para o maior mito eleitoral de Pernambuco, Miguel Arraes.
O pior é que, se perguntarem ao responsável por que ignorou a importância histórica de Pelópidas, a resposta será aquela de sempre: "Eu não sabia. Não é do meu tempo". Não é mesmo. Nem Pelópidas, nem Pedro Álvares Cabral.
Superexposição
Não deve ser a primeira vez em que isso acontece, mas este colunista jamais tinha visto o fenômeno: o mesmo artigo, de Paul Krugman, foi publicado no mesmo dia em dois grandes jornais da mesma cidade. Cada um fez sua própria tradução, cada um deu seu próprio título, mas o artigo é sem dúvida o mesmo, que trata do socorro americano às grandes empresas hipotecárias.
O limite da reportagem
Mais um caso que deve ser debatido e analisado dentro do Código de Ética da profissão: Gil Rugai, condenado num caso rumoroso pelo assassínio do pai e da madrasta, estava em liberdade provisória. Uma rede de TV, em ampla reportagem, mostrou que ele estava morando em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e não em São Paulo (isto é irregular: não poderia mudar de endereço sem avisar o juiz). Entretanto, ele estava trabalhando, não estava se escondendo, não estava fugindo, tinha apenas mudado de endereço; e encontrá-lo não era assim tão difícil, tanto que a TV o achou. Resultado da reportagem: a liberdade provisória foi cancelada e Gil Rugai voltou para a cadeia.
O furo de reportagem vale dificultar o trabalho de ressocialização do preso? Faz parte das funções de jornalista fiscalizar os condenados em liberdade provisória? E, pior, o fato de Santa Maria ficar perto da fronteira (como assinalou o juiz) significa que, automaticamente, ele iria fugir do país? Se isso fosse verdade, por que, em vez de fugir de uma vez, ele teria feito um longuíssimo pit-stop, durante o qual até arranjou emprego?
Liberdade ameaçada
Dois casos numa só semana:
1. O site Nova Corja recebeu ordem judicial para retirar da internet as informações sobre o empresário Eduardo Laranja, aquele que vendeu uma casa à governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. No caso, há dois fatos curiosos: primeiro, parece que o sr. Laranja havia recebido oferta mais alta, que recusou, para aceitar a mais baixa, vinda da governadora recém-eleita; segundo, o patrimônio da governadora, declarado ao Tribunal Regional Eleitoral, era inferior ao valor da casa que comprou.
2. O site Ucho Haddad foi obrigado a retirar informações contrárias ao banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity.
Ué, e a Constituição Federal, aquela Constituição Cidadã, que diz que não haverá censura à imprensa? Ainda existe?
E eu com isso?
Supremo, tiroteio entre jornalistas, Daniel Dantas, delegado Protógenes, ministro Gilmar, liberdade provisória, prisão em regime fechado – mas tente conversar sobre isso com a vizinha do apartamento ao lado!
Entretanto, mude o assunto e veja como a conversa vai fluir:
** "Ju Paes compra biquíni na areia e cria hit"
** "Gisele Itié leva caldo e se diverte com namorado"
** "Brad Pitt e Angelina Jolie não conseguem dormir"
** "Sandy vai usar um cabelo `romântico´ em seu casamento"
** "Patrícia Pillar circula na noite carioca"
** "Felipe Dylon passa a manhã surfando no Rio"
** "Moscas de fruta também têm vida social, diz estudo"
O grande título
Voltamos a ter daqueles títulos que, sabe-se lá por que motivo, acabam saindo truncados e dão trabalho para descobrir o que é que querem dizer:
** "Acidente deixa um mor na Rodovia Fábio Talarico"
E daqueles que, se a Última Flor do Lácio fosse levada a sério, provocaria uma corrida às livrarias, para comprar dicionários:
** "Chinaglia não havia concordado com o conteúdo da sansão feita pelo STF ao Congresso"
Mas dá para explicar: a sansão deve ser a esposa do dalila.
E o melhor título da semana:
** "Jennifer Lopez obrigou marido a fazer teste de gravidez"
Podem ficar tranqüilos: parece que o teste deu negativo. (Fonte: Observatório da Imprensa
*O autor é: Jornalista, diretor da Brickmann&Associados
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