quinta-feira, 29 de maio de 2008

Imprensa em Questão

JORNALISMO REGIONAL

Dois casos de atuação da imprensa local

*Fabiano Angélico

Nas últimas semanas, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo voltaram a noticiar o escândalo do Detran do Rio Grande do Sul, caso de suspeita de corrupção que se tornou público em novembro de 2007, quando a Operação Rodin foi deflagrada pela Polícia Federal. De acordo com a PF, foi montado no Detran-RS um esquema que surrupiou R$ 40 milhões dos já depauperados cofres gaúchos.
Uma pesquisa na base de dados do projeto "
Deu no Jornal", da Transparência Brasil, indica que cada um dos jornalões sediados em São Paulo publicou três matérias sobre o caso no período entre 15 de maio e 21 de maio.
Acompanhado à distância por diários de alcance nacional, o tema não saiu da pauta da imprensa gaúcha desde 6 de novembro de 2007. Da data em que foi deflagrada a ação da PF até 21 de maio, foram 206 textos no Correio do Povo e 306 no Zero Hora, ainda de acordo com o projeto "Deu no Jornal" (banco de dados de matérias jornalísticas sobre corrupção).
Como evidenciam os números, a cobertura da imprensa gaúcha se descolou do noticiário nacional. E o desenvolvimento das apurações já atinge a governadora Yeda Crusius (PSDB), o que trouxe o caso de volta aos diários de referência.

Omissão na Paraíba

Embora tenham apresentado algumas falhas (para uma análise mais detalhada, ver o estudo "A cobertura do escândalo do Detran gaúcho", divulgado pela Transparência Brasil em abril), os dois principais jornais do Rio Grande do Sul cumpriram seu papel fiscalizador. Com toda a luz jogada sobre o escândalo Detran, é de se esperar que as autoridades façam uma boa apuração das responsabilidades.
A mesma esperança não se vislumbra em outro estado governado por tucanos. Na Paraíba, onde o governador Cássio Cunha Lima chegou a ser cassado, mas se segura no cargo por força de uma liminar, a imprensa local falhou feio.
Embora o caso que culminou na cassação do governador pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba tenha sido outro (abuso de poder político), um assunto que poderia ajudar na compreensão das atividades do governo estadual ficou à sombra graças à ineficiência dos jornais paraibanos.
Conforme o estudo "
Na Paraíba, governo dispensa licitação e jornais dispensam esclarecimentos", divulgado pela Transparência Brasil em abril, os três principais diários paraibanos ficaram devendo à sociedade um relato consistente da denúncia apresentada por um deputado de oposição sobre dispensa supostamente irregular de licitação.

Não há hábito de repercutir

Das 23 matérias publicadas sobre o assunto na imprensa local entre 19 de novembro e 9 de dezembro de 2007, só uma não saiu no Correio da Paraíba, cujo proprietário, Roberto Cavalcante, é suplente do senador José Maranhão, ex-governador da Paraíba.
Em nenhum dos 22 textos do Correio, o atual governo da Paraíba é ouvido. "Há uma determinação do governo para não nos responder. Nós os consultamos, eles é que não falam", disse o editor de política do Correio da Paraíba, Josival Pereira, ao autor do estudo da Transparência Brasil. No entanto, em nenhum texto o jornal menciona que o governador foi procurado. Sem espaço para o "outro lado", é difícil conferir credibilidade aos relatos do Correio.
Os outros dois jornais analisados – Jornal da Paraíba e O Norte – também não cobriram o caso corretamente. O segundo deu apenas uma matéria sobre o assunto e o primeiro não publicou nem uma linha.
A editora-executiva do Jornal da Paraíba, Angélica Lúcio, disse à Transparência Brasil que o jornal tem não o hábito de repercutir um tema "quando o concorrente sai com o furo".

Sem braços

O diário O Norte também tem uma explicação para ter deixado o assunto de lado. Vale reproduzir um trecho do estudo:
"A editora de política de O Norte, Glaudenice Nunez, diz que foi decisão da empresa não acompanhar o caso e não pode comentar o assunto. Ela afirma que o jornal só publica denúncias ‘quando a Justiça se posiciona’ ou quando a ‘fonte da informação pode ser checada.’ Quando lembrada que é público o acesso ao Sagres, sistema que os deputados têm usado para fazer as acusações de dispensa de licitação, Glaudenice alega que ‘essa parte é por causa da determinação da empresa’."
Em resumo: a sociedade ignora o que se passou. Milhões de reais podem ter sido desviados. Por outro lado, pode ter havido falsas acusações. Quem sabe?
Como se percebe, faz toda a diferença a postura da imprensa local perante os governos locais. A chamada "grande mídia", que mal cobre os grandes escândalos – e muitas vezes os cobre muito mal, não tem braços para relatar todos os casos de suspeitas de corrupção sussurrados neste imenso país.
A esperança que resta é que o propalado crescimento da classe média brasileira resulte em um fortalecimento de algumas das nossas instituições, entre as quais os jornais de alcance municipal e/ou estadual. Quem viver, verá!

*O autor é Coordenador de projetos da
Transparência Brasil

Eleições 2008

Zé Antônio e Luizão saem na frente


Brasília – Da Redação – Um ato inusitado no mundo político, em especial às vésperas das convenções para a escolha dos candidatos a prefeitos e vereadores, e que alguns preferem chamar de “a democracia em resumo”, resultou no pré-lançamento de duas candidaturas a prefeito de Rolim de Moura (RO): a do atual presidente da Câmara Municipal, vereador José Antônio Gonçalves Ferreira, ou simplesmente “Zé Antônio”, pelo PSB, e do empresário Luiz Schok, ou “Luizão do Trento”, que no pleito passado concorreu encabeçando uma coligação que mais parecia uma “sopa de letras”, reunindo diversos partidos, alguns antagônicos e que nenhum analista imaginaria caminhar lado a lado, tanto que acabou derrotado pela atual prefeita Mileni Mota (PTB).
Na reunião em que as duas pré-candidaturas foram lançadas, o grande número de siglas partidárias ali representadas também causou estranheza, da mesma forma que o fato de se ver definido não apenas um nome para a corrida sucessória, mas sim dois.
Duas pré-candidaturas à prefeitura local, a do empresário Luizão do Trento (PSDB) e do vereador de Zé Antônio (PSB), foram lançadas na reunião, que teve representantes do PSB de praticamente todo Estado, além do presidente regional da sigla, Mauro Nazif, que deu total liberdade aos dirigentes do diretório municipal do PSB para definirem as coligações e decisões que irão tomar sobre as eleições de outubro próximo.
O senador Expedito Júnior (PR-RO) participou do evento, referendando a preparação Luizão do Trento e Zé Antônio, seu irmão, para que cheguem à Prefeitura de Rolim de Moura e possam fazer um bom trabalho em prol da população.
Na opinião de Expedito Júnior, os quatro mandatos de vereador que Zé Antônio tem em Rolim de Moura o credenciam como político conhecedor da administração pública, o que o coloca em condições de conduzir a Prefeitura de Rolim de Moura como um grande prefeito. Expedito disse ainda que não interfere nas decisões de Zé Antônio, e para exemplificar, diz que gostaria que o irmão tivesse ido ao PR, “mas respeito a decisão dele se filiar ao PSB de Mauro Nazif”
Sobre Luizão do Trento, Expedito demonstrou confiança na capacidade administrativa do empresário, que também considera em condições de fazer uma boa administração frente à prefeitura de Rolim de Moura, caso consiga se eleger.
Sobre a disputa de pré-candidatos com ligação pessoal com o senador, ele disse que tem ainda Josias Custódio (PTN), que também lançou sua pré-candidatura e, ainda, Mileni Mota (PTB), a quem disse já ter sido crítico, mas atualmente reconhece o bom trabalho que está sendo feito pela prefeita em Rolim de Moura. “Já estive falando com o governador Ivo Cassol, tanta gente conhecida disputando a Prefeitura de Rolim que quem ganhar, ficará tudo em casa”, disse Expedito Júnior.


Circo da Notícia

A MATEMÁTICA DA FOLHA

PT e PSDB, dois pesos e duas medidas

Luiz Antonio Magalhães

Reproduzido do blog do autor

O que vai a seguir é mais uma colaboração deste observador para a série "Como a grande imprensa manipula o noticiário". A Folha de S. Paulo de segunda-feira (26/5) publicou na primeira página a chamada a seguir:

** "A cada R$ 1 doado ao PT, empresas recebem R$ 54"

Pois bem, o leitor vai lá para dentro do jornal e lê a matéria, publicada na página A4, com os seguintes título e linha-fina (grifos meus):
** "Governo paga a empresas 54 vezes o que doaram ao PT"
** "Só das 20 maiores contribuintes, partido recebeu R$ 8,7 milhões no ano passado"
** "No segundo mandato de Lula, empresas receberam R$ 473 milhões do governo federal; PT foi o partido que mais obteve contribuições"
Mas eis que o distraído leitor vira a página e se depara com a seguinte preciosidade (grifos novamente meus):
** "Doadoras do PSDB obtêm contratos de R$ 3,4 bilhões"
** "Andrade Gutierrez e Odebrecht ganharam licitações em Minas Gerais e São Paulo"
** "Construtoras doaram ao todo R$ 2,4 milhões ao partido nacional em 2007; empresas dizem que doação foi feita de acordo com a lei"
Ora, para chegar nos tais R$ 54 que as empresas doadoras do PT receberam a cada R$ 1 doados ao partido, a Folha dividiu o total recebido (R$ 473 mi) pelo total doado (R$ 8,7 mi). No caso do PSDB, a mesma divisão mostra que, a cada R$ 1 doado aos tucanos, as empresas receberam exatos R$ 1.416. Mas o jornal paulistano achou que os cinqüenta e quatro contos do PT merecem mais destaque do que os R$ 1.416 do PSDB.
Uma manchete justa talvez fosse a seguinte:
** "Doação ao PSDB dá às empresas retorno 26 vezes maior do que doação ao PT"
Assunto para Carlos Eduardo Lins da Silva, o novo e competente ombudsman da Folha.

Comissão aprova projeto de Júnior para divulgação de verba indenizatória na internet

Brasília (Fabíola Góis/Assessora de Imprensa) - A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado (CCT) aprovou parecer do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) ao projeto de lei (PLS 671/07) do senador Expedito Júnior (PR/RO) que autoriza órgãos públicos a tomarem providências para a divulgação, pela Internet, das informações relativas a gastos públicos indenizatórios.
O projeto autoriza a Câmara, o Senado, o Presidente da República, os Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público a divulgarem os gastos caracterizados como verba indenizatória. Nos casos de despesas definidas por lei como reservadas ou de sigilo funcional, a proposta permite que os valores sejam divulgados de forma agregada. Também os gastos relativos à Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF), conhecido como cartão corporativo deverão ser divulgados na Internet.
Sérgio Zambiasi ressaltou que o Senado já publica em sua página na Internet os gastos da Casa com verbas indenizatórias. O relator informou que também a Câmara dos Deputados já divulga seus gastos, bem como algumas assembléias legislativas e câmaras municipais.
O senador Expedito Júnior explica que essa idéia surgiu antes mesmo dos escândalos com cartões corporativos divulgados pela imprensa. “A intenção é dar mais transparência com os gastos públicos”, afirmou.
Agora o projeto será examinado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), na qual receberá decisão terminativa
.


Imprensa em Questão

DOIS LADOS DO BALCÃO

A promiscuidade no jornalismo político


Argemiro Ferreira

Reproduzido do blog do autor


Certa vez estive envolvido numa discussão interna do Sindicato de Jornalistas do Rio sobre uma coluna iniciada por Pelé no Jornal do Brasil. Discordei da idéia de impedi-lo de escrever a pretexto de não ser jornalista. Mas o próprio craque, interpelado pelo sindicato, acabaria por recuar: concordou em expor suas análises sempre na forma de entrevistas, cabendo o texto a um jornalista.
Mais tarde ouvi dizer que Tostão, formado em Medicina, fez curso de comunicação para não ter de enfrentar a ira de jornalistas inconformados com a competição de não diplomados em comunicação. A disputa permanece, mas minha opinião continua a mesma. Não acho certo insistir em restrições assim para impedir um Pelé, um Tostão, um Gerson, um Sócrates e tantos outros de escrever sobre o que conhecem tão bem.
O jornalismo ganha com eles. Se esse caso e outros semelhantes violam a lei que regulamenta a profissão, os colegas jornalistas e os professores de comunicação que me desculpem, é hora de mudar a lei. Mas há certas sutilezas a serem examinadas. Volto à questão por causa do que acontece nos EUA, onde Karl Rove, marqueteiro tido como "o cérebro de Bush", tornou-se a mais nova estrela do jornalismo político americano.

Rove, Russert, Stephanopoulos

Nos EUA existem escolas de jornalismo e de comunicação, mas não a exigência de diploma para o exercício da profissão. Um dos jornalistas mais bem-sucedidos da TV – Mike Wallace, do 60 Minutes da CBS – celebrizou-se primeiro como animador de programas de prêmios. Tim Russert, que faz sucesso no Meet the Press da NBC, começou como assessor do governador Mario Cuomo e, depois, do senador Daniel Moynihan.
O programa político da ABC, que hoje disputa o horário de domingo com Russert na NBC, é This Week, de George Stephanopoulos, formado em Ciências Políticas, Direito e Teologia – mas até então sem nenhuma experiência jornalística. Ele só se tornou conhecido em 1992, como secretário de imprensa da campanha presidencial de Bill Clinton e, posteriormente, diretor de comunicações da Casa Branca.
Na mesma campanha presidencial, destacaram-se ainda James Carville, principal estrategista de Clinton e, do outro lado, Mary Matalin, a serviço da campanha rival de George Bush I, o pai. Carville e Matalin (ela passou a servir, em 2001, ao vice-presidente Dick Cheney) casaram-se depois e ganham a vida desde então com política e jornalismo. Fazem na TV (inclusive na NBC) um número tipo vaudeville: brigam no palco, expondo as posições democrata e republicana. Pura encenação teatral, claro.

Obama, o próximo alvo dos "527"

Desde segunda-feira (12/5) o New York Times – que dias antes devassara o escândalo dos "analistas militares" da TV, generais treinados pelo Pentágono para melhor defender na mídia as opções bélicas dos EUA – expôs a situação atual de Karl Rove, transformado em analista político da mídia após dirigir com sucesso as duas campanhas de Bush (2000 e 2004) [ver aqui]. Ele fala às câmeras da Fox News e escreve para o Wall Street Journal e a Newsweek (saiba mais AQUI sobre esse novo papel dele).
Convenhamos que enquanto o debate é sobre Pelé, Tostão, Sócrates, está fora de dúvida que o jornalismo – como os leitores ou telespectadores – só tende a ganhar. Mas uma relação promíscua mídia-política corre o risco de comprometer a própria integridade do jornalismo. E Rove, especialista em truques sujos da política, traz ainda seu status de celebridade e muitas dúvidas éticas.
Sobre a competência do personagem, nada tenho a opor. Dificilmente alguém domine tão bem o tema que analisa – como na certa concordam os que acompanharam sua participação na cobertura das últimas primárias pela Fox News. Mas, entre outras coisas, Rove pode estar envolvido, segundo sugeriu o Times, num projeto para produzir e veicular comerciais difamatórios contra Barack Obama.
Esses comerciais viriam do que é chamado nos EUA "grupos 527". O número refere-se a dispositivo de legislação fiscal. Eles são organizações desregulamentadas, livres de impostos e sem ligação visível com a campanha de qualquer candidato. Exemplos expressivos ocorreram nas duas campanhas de Bush II, o filho, ambas dirigidas por Rove. Em 2004 a difamação de John Kerry em forma de comerciais inundou o país, iniciativa do "Swift Boat Veterans for Truth", um grupo 527 [
ver aqui].

A mesma porta de vaivém

Coube ao mestre de Rove, Lee Atwater, fazer a campanha de Bush pai em 1988 e usar um comercial semelhante – sobre Willie Horton, presidiário negro que, liberado para passar um fim de semana em casa, estuprou e matou uma mulher branca em Massachusetts, estado governado por Mike Dukakis. O anúncio foi produzido por um grupo sem vínculo com a campanha. Sabe-se hoje que, ante a vantagem (quase 20 pontos percentuais) do democrata Dukakis, Bush autorizou a veiculação dos comerciais – e se elegeu.
Depois de Atwater prever que ao fim da campanha Horton seria célebre em todo o país, um ex-assessor de mídia de Ronald Reagan – Roger Ailes, hoje presidente da Fox News, que acaba de contratar Rove – completou: "A única dúvida é se vamos mostrá-lo com a faca na mão ou sem ela". E Larry McCarthy, que produzira o comercial e antes tinha trabalhado para Ailes, encarregou-se de convencer as TVs a aceitá-lo [
ver aqui a carta de um leitor do Washington Post convencido de que em 2008 o ex-pastor de Obama, Jeremiah Wright, será transformado num Willie Horton].
As relações promíscuas de gente como Rove com a mídia são e serão sempre uma preocupação para quem se preocupa com a ética e a integridade jornalística. Rove foi da Casa Branca para a redação – como Ailes, Stephanopoulos, Carville, Matalin e outros. Mas às vezes o fluxo é inverso na porta de vaivém: Tony Snow, depois de ser âncora do principal programa político da Fox, tornou-se porta-voz de Bush na Casa Branca.

*O autor é Jornalista


Jornal de Debates

"BARRIGA" DO ANO (2)

Sobre as contradições do jornalismo

Venício A. de Lima

No final da tarde de terça-feira (20/5) fui surpreendido com telefonema de pessoa de minha família, em Minas Gerais, preocupada em saber se eu estaria viajando ou se estava em Brasília. Estava em Brasília, por quê? "Acabamos de ouvir na rádio Itatiaia de Belo Horizonte que um avião de passageiros havia se chocado com um prédio nas proximidades do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, provocando grande incêndio. Como você sempre viaja, queríamos ter certeza de que não estaria entre as vítimas de mais esse acidente aéreo."
Depois do telefonema, tomei conhecimento de que o canal GloboNews, da operadora de TV a cabo NET, havia interrompido a transmissão ao vivo de depoimentos na CPI dos cartões para "informar" que um avião da empresa Pantanal acabara de cair sobre um prédio na Zona Sul de São Paulo, próximo ao aeroporto de Congonhas. Durante mais de cinco minutos, a GloboNews mostrou imagens de fumaça sobre a cidade e do incêndio que teria sido provocado pelo choque de um avião com o prédio.
Numa inversão da lógica que tem presidido a análise do fluxo das notícias, quase simultaneamente a GloboNews pautou os principais sites online – UOL, Folha OnLine, Terra, iG, Estadão – que passaram a "informar", em manchete, sobre a queda do avião e sobre o incêndio. A partir daí, a "informação" passou também a ser transmitida por emissoras de rádio em todo o país.
Aos poucos foram aparecendo os desmentidos: da Infraero, da Pantanal e da própria Central Globo de Comunicação que, em comunicado, informou:
"A respeito do incêndio ocorrido hoje à tarde em São Paulo, a GloboNews, como um canal de noticias 24 horas, pôs no ar imagens do fogo assim que as captou. Como é normal em canais de notícias, apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens. A primeira informação sobre a causa do incêndio recebida pela Globo News foi a de que um avião teria se chocado com um prédio na região do Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Naquele momento bombeiros e Infraero ainda não tinham informação sobre o ocorrido. As equipes da própria Globo News constataram que não havia ocorrido queda de avião e desde então esclareceu que se tratava de um incêndio em um prédio comercial. Poucos minutos depois o Corpo de Bombeiros confirmou tratar-se de um incêndio em uma loja de colchões."
Não havia acidente. Nenhum avião havia se chocado com qualquer prédio. Na verdade, tratava-se de um incêndio em loja de colchões no bairro paulistano de Moema.

Há vinte meses

Foi impossível não lembrar de uma outra situação envolvendo o jornalismo das Organizações Globo. Esta última ocorrida em 29 de setembro de 2006, quando um jato Legacy derrubou o Boeing que fazia o vôo Gol 1907, de Manaus para Brasília, matando mais de 150 pessoas.
Naquela época, ao contrário de outras emissoras de TV e sites na internet, a TV Globo demorou a noticiar o acidente que ocorreu antes do Jornal Nacional. Como estávamos às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, houve uma grande polêmica em torno do assunto. A Globo sempre alegou que não poderia ter dado a notícia sem primeiro checar os fatos. A emissora temia as eventuais repercussões que uma notícia dessas – não confirmada – poderia causar na vida de milhares de pessoas.
Agora a GloboNews deu a "informação" falsa sobre o "acidente". Sites e emissoras de rádio reproduziram a "informação" e só depois se deram ao trabalho de checar para ver se era verdadeira. Não era.
Deixo a meu eventual leitor as devidas conclusões sobre a qualidade e a responsabilidade do jornalismo que continua a ser praticado no Brasil.

Raupp defende liberação de R$ 30 milhões para obras em municípios rondonienses

Brasília (Assessoria de Imprensa/Liderança do PMDB) - A liberação de R$ 30 milhões para obras de travessias urbanas e de iluminação pública em municípios do Estado de Rondônia foi reivindicada pelo líder do PMDB no Senado Federal, Valdir Raupp (RO), ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, durante audiência ocorrida na tarde ontem (28. Da audiência participou também, o diretor de Planejamento e Pesquisa do Departamento de Infra-Estrutura Terrestre (DNIT), Miguel de Sousa.
De acordo com a emenda parlamentar do senador apresentada ao Orçamento Geral da União de 2008, os recursos terão a seguinte destinação: travessias urbanas nas cidades de Presidente Médici: R$ 9,8 milhões Ouro Preto do Oeste: R$ 11 milhões e Candeias do Jamari; R$ 4,5 milhões. Para iluminação de vias urbanas, os recursos orçamentários vão contemplar Pimenta Bueno: R$ 1,3 milhão e Porto Velho: R$ 1,4 milhão. Para a construção do trevo da BR-364 com a 429, em Presidente Médici, a emenda do senador destinou R$ 2,9 milhões.
O senador solicitou ao ministro prioridade na liberação desses recursos que se destinam a obras de importância para o desenvolvimento dos municípios beneficiados. “Temos recebido diariamente pleitos de prefeitos de todo o Estado, neste sentido”, disse Raupp ao se reportar a peregrinação que os administradores realizam em Brasília.
“Os municípios rondonienses não têm condições de bancar obras de infra-estrutura e carecem do apoio do Governo Federal”, frisou o líder do PMDB no Senado, esclarecendo que ele e a deputada federal Marinha Raupp têm percorrido ministérios e outros órgãos da administração pública federal em busca de recursos para investimentos em obras de infra-estrutura e nas áreas de educação e saúde.


CAS aprova emenda que garante mais 50 unidades de saúde às mulheres vítimas de violência

Brasília (Henrique Teixeira/Assessoria de Imprensa) - A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou ontem (28) emenda que garante a implementação de mais 50 unidades de serviço de atenção à saúde de mulheres vítimas de violência. A emenda foi proposta pela senadora Fátima Cleide (PT-RO).
Fátima justificou a apresentação da emenda devido às peculiaridades da violência sofrida pelas mulheres. “Homens e mulheres são atingidos pela violência de maneira diferenciada. Enquanto os homens tendem a ser vítimas de uma violência predominantemente no espaço público, as mulheres sofrem cotidianamente agressões dentro de seus lares, muitas vezes praticadas por seus maridos e companheiros”, explicou.
Há no Plano Plurianual Anual (PPA), proposto pelo governo Lula em 2007, a meta de criação de 100 novas unidades de atendimento às mulheres vítimas de violência. Mas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não havia nenhuma proposta de novos postos de atendimento. Com a emenda de Fátima o governo federal tem a prioridade de implementar até 2009 mais 50 novas unidades em todo o País. Dessa forma, a meta passa de 100 para 150 postos de atendimento.
O ministério da Saúde será o órgão responsável pela implementação dessas unidades. O programa deverá se chamar Promoção da Capacidade Resolutiva e da Humanização na Atenção a Saúde.
A emenda aprovada pela CAS ainda será apreciada pela Comissão Mista de Orçamento do Senado para ser definitivamente incluída na LDO.


Votorantim produzirá 2.000 toneladas de cimento por dia em RO

Porto Velho (Decom) - A fábrica de cimento que a Votorantim pretende inaugurar em Porto Velho até o fim de 2009 deverá produzir, nos próximos 50 anos, 750 000 toneladas/ano, o equivalente, por dia, a 50 carretas carregadas com 40 toneladas cada uma.
Para isso, serão consumidas 350 000 toneladas de argila caulínica por ano, material a ser extraído de duas áreas próximas à fábrica, uma na zona rural da capital e a outra em Candeias do Jamari.
Misturada ao clínquer, matéria-prima a ser fornecida por outras unidades do grupo no Brasil, a argila será calcinada em um forno a até 900 graus centígrados, aquecido com a queima de coque de petróleo importado de uma refinaria no Golfo do México (EUA), formando uma substância chamada pozolana. Com a aplicação de gesso e calcário, também trazidos de fora do Estado, o cimento pozolânico é moído e ensacado. A fábrica também fornecerá o produto a granel, transportado em caminhões-tanques.
As informações foram divulgadas ontem por uma equipe destacada pela diretoria do Grupo Votorantim, liderada pelo coordenador do projeto, Álvaro Batalha, na qual foram detalhados todos os passos do processo de industrialização do cimento. Segundo ele, a fábrica irá empregar na linha de produção até 100 pessoas. Toda a mão-de-obra restante para a execução de serviços de alimentação, vigilância e segurança, será terceirizada.
Representando o Executivo estadual, o superintendente estadual de Turismo, Manoel Serra, destacou a importância de o empresariado local preparar-se para ser parceiro ou fornecedor da companhia: “Como demonstrado pelo coordenador do projeto, as paradas de manutenção de todo o sistema do alto-forno vão exigir serviços de caldeiraria, montagem e mecânica pesada que vão ser contratados no mercado de Porto Velho, e esse é apenas um exemplo das atividades que podem ser exercidas por profissionais aqui de nosso Estado”.
A Votorantim também anunciou que, a partir de julho, começa, em parceria com a Prefeitura Municipal e o SINE, administrado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Produção e do Desenvolvimento Econômico e Social (SEAPES), o treinamento de pessoal para as obras civis, que devem empregar até 1.270 operários no auge das obras, previsto para o primeiro semestre do ano que vem.


RO sedia o I Encontro dos Conselhos da Comunidade da Região Norte

Porto Velho (Luiz Alexandre/Assessoria/Sejus) - Representantes de todos os estados da região Norte participam nos dias 30 e 31, exclusivamente em Porto Velho, do I Encontro dos Conselhos da Comunidade da Região Norte. O evento, que acontece no Sest-Senat, é uma realização do Departamento Penitenciário Nacional (Depen/MJ) em parceria com o Governo de Rondônia através da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
Com o objetivo de qualificar pessoas que atuam nos Conselhos da Comunidade dos Estados, aprimorar as atividades já exercidas e fomentar a troca de experiências entre conselheiros, magistrados, promotores, gestores do sistema prisional e diversos segmentos da sociedade, o Encontro pretende ajudar na construção de políticas públicas adequadas às disposições da Lei de Execuções Penais (LEP).
De acordo com o secretário de Justiça em exercício, o delegado de polícia Renato Eduardo de Souza, Rondônia sediará esta importante iniciativa devido ao aumento significativo do número de Conselhos da Comunidade após sensibilização feita pelo Conselho Penitenciário do Estado junto ao Poder Judiciário.
“O Judiciário recepcionou muito bem nossos argumentos e encaminhou expediente aos Juízes por meio da Corregedoria do Tribunal de Justiça, concitando-os a criarem os referidos Conselhos, conforme disposto na LEP”, informou o presidente do Conselho Penitenciário de Rondônia, Gabriel Tomasete.

Programação

As atividades terão início com a cerimônia de abertura que contará com a presença do diretor do Depen, Maurício Kuehne, do diretor de Políticas Penitenciárias, André Luiz Cunha e diversas autoridades estaduais do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Ainda pela manhã da sexta-feira, além da apresentação da Comissão Nacional para a Implementação e Acompanhamento dos Conselhos da Comunidade, o ponto alto ficará por conta da apresentação do Espetáculo Bizarrus, encenado por egressos e apenados do Sistema Penitenciário de Rondônia.
Já pela parte da tarde e seguindo na manhã de sábado, acontece palestras e oficinas que focam as funções e atribuições dos Conselhos. Ao final os grupos irão apresentar em plenária as propostas das oficinas.